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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Porque sempre torço pro time pequeno. Ou o que é BIRGing?




Esta semana estava assistindo a um jogo de basebol e, como sempre, o time para o qual eu torcia perdeu. Fiquei com aquilo na cabeça. Por que será que sempre escolho o time mais fraco pra torcer?
Pergunte a uma criança, durante uma partida, para qual time ela está torcendo e a resposta será simples: para o que está ganhando! 
Claro, por que alguém torceria pra algo que vai perder? Viva a resposta das crianças! 
Tenho um amigo que se diz torcedor do Barcelona. Quando ele nos contou isso, demos muita risada da cara dele, porque como alguém de São José pode se dizer torcedor do Barcelona?! Mas no fundo, a resposta dele se assemelha a das crianças: se no esporte só existe a opção ganhar ou perder, por que perder meu tempo torcendo por um time que não tem as mesmas glórias do time catalão?
Fui procurar um pouco sobre a psicologia do torcedor e encontrei o conceito de BIRGing (Basking in reflected glory), que nada mais é do que a associação que um indivíduo faz com o sucesso de outro de tal maneira que aquele sucesso seja sentido como seu também. Esse termo foi estudado com base no comportamento de universitários norte-americanos após as partidas de futebol americano dos seus times. Na segunda-feira após os jogos, se o time ganhava, várias pessoas iam estudar com a camisa do time; se perdia, ninguém vestia peças associadas ao time. O que os alunos procuravam era se vincular ao sucesso do clube, mesmo que não tenham exercido nenhuma influência sobre o resultado.  Isso não é novidade pra ninguém, é o que fazemos sempre quando nosso time de futebol ganha. No fundo, tem a ver com a auto-estima do torcedor. Se o Palmeiras ganha do Corinthians, o Fulano que é palmeirense, mesmo que não saiba fazer 2 embaixadinhas e o amigo corintiano seja um craque, vai se sentir melhor que o rival, porque escolheu 11 caras para jogar e ter a glória por ele, o que não a conseguiria alcançar pelos próprios meios. 
O BARGing não serve só para esportes, mas para todo tipo de associação. Se você usa uma camisa da banda X, quer ser associado ao sucesso daquela banda, mesmo sem saber tocar uma campainha que seja. Se você põe uma foto sua com um famoso no Facebook, que ser vinculado ao sucesso que aquele famoso obtém na profissão. Eu, por exemplo, parei de jogar rugby, mas tenho o adesivo do meu time no carro, para me sentir vitorioso quando o time ganha, mesmo sem ter dado um tackle no jogo. 
Por que será que ficamos tão bravos quando o Brasil perde na Copa do Mundo ou um atleta brasileiro vai mal nas Olimpíadas? Porque nossa auto-estima como brasileiros foi duramente afetada. Acreditamos que os estrangeiros não nos verão (a todos brasileiros por associação) como vencedores, assim como gostaríamos de transparecer pro mundo. 
Não sou psicólogo, mas acredito que quanto menor a auto-estima da pessoa, mais ela depende da glória alheia para sentir-se bem e, conseqüentemente, mais fanático e intolerante ele se torna com a derrota. Por exemplo, nas últimas olimpíadas, reparei que os amigos que mais criticavam as "amareladas" dos atletas brasileiros eram justamente aqueles que menos habilidade tinham nos esportes. Faz sentido: não sabendo fazer nada no âmbito esportivo, mais eles dependiam de que alguém desempenhasse um bom papel para poder sentir uma glória. 
Será que não ocorre o mesmo no futebol? Acredito que sim. Se sua "vida" e alegria de viver dependem da vitória de um time, acho que há algo de errado com a sua vida. A auto-estima não pode ser tão baixa a ponto de depender da vitória alheia para ser feliz. Há pessoas, inclusive, que se tornam violentas durante o jogo, tamanho o medo de se ver diminuído socialmente no dia seguinte caso o time não vença.
Eu já me peguei fazendo este exercício várias vezes. Quando meu time perdia, começava a lembrar das coisas boas da vida: "tenho uma família feliz", "meu filho me ama", "tenho saúde", "tenho emprego", tudo para bombar a auto-estima e me fazer relevar a frustração que os 11 caras me proporcionaram ao não ganhar do time rival.
Ok, já entendi essa historia de BARGing, mas por que então torcemos para times que não ganham? 
Segundo a Dra. Sandy Wolfson, da Universidade de Newcastle, de cuja entrevista tirei boa parte do que escrevi, torcemos para um time mesmo que ele perca porque queremos provar que somos melhores torcedores do que os outros e, conseqüentemente, melhores pessoas, segundo nossa auto-estima. Pela falta de glórias, é muito mais difícil torcer pro São José do que pro Barcelona; logo, sou melhor "torcedor" do que aquele meu amigo, porque permaneço fiel, vou mais ao estádio, assisto mais aos jogos, etc.. É o que ela chama de "superioridade ilusória", que possuímos aos sentirmos como parte de um grupo que consideramos especial. Quem nunca viu um torcedor com a camisa do seu time na rua mesmo depois de uma derrota devastadora? Ele simplesmente quer passar conceitos de fidelidade, coesão de grupo, enfrentamento de adversidades com a cara erguida, etc..Uma das grandes acusações contra os torcedores do São Paulo é justamente esta, de que não vão aos estádios, só quando o time está bom. A intenção dos rivais é provar que são piores torcedores e não deveriam se orgulhar de ser sãopaulinos.
Como esporte não é simplesmente ganhar ou perder, a associação à certo time também está relacionada a outros conceitos que não apenas glórias ou fracassos. No meu caso, como o próprio nome do blog diz, gosto de associar-me à cultura caipira, do homem do interior. Por isso, acabo torcendo pros times que têm mais a ver com esse conceito. Geralmente, esses times não têm o mesmo poderio econômico e esportivo dos clubes das cidades grandes e, assim, dificilmente ganham alguma coisa. Mesmo assim, no meu inconsciente, devo acreditar que vale a pena torcer para eles, pois, quando ganham, é uma verdadeira vitória do David contra o Golias, vitória a qual gostaria de me associar. 
Respondidas as minhas inquietações esportivas sobre meu pé-frio, deixo a entrevista da professora Wolfson para quem quiser saber mais sobre o assunto:







segunda-feira, 13 de maio de 2013

Que tipo de herói queremos pros nossos filhos?


 Ontem, depois da Meia Maratona aqui em Assunção, conversei com um senhor que veio de Belo Horizonte para a corrida. Todo sorridente, ele estava esperando para ver se ganharia troféu na sua categoria, de maiores de 70 anos. Ele fez os 21km em 1h50 carregando um papel em homenagem a mãe, falecida há 16 anos. Depois de receber o troféu pelo segundo lugar, despediu-se dizendo que iria pro hotel se arrumar porque pegaria o ônibus ainda aquele dia para BH.
À tarde, fiquei vendo futebol enquanto lia no sofá. Depois da partida, um jogador, que não correu porra nenhuma o jogo todo, veio falar que o time perdeu porque foi prejudicado pela arbitragem. 
Provavelmente nossos filhos nunca saberão a história de milhares de pessoas como este senhor de BH, mas diariamente assistem na TV picaretas que ganham bons milhares de reais para colocar a culpa da derrota em algum fator externo.
Não quero cair no lugar comum de reclamar do salário dos jogadores de futebol. Se alguém ganha R$1 milhão por mês é porque provavelmente gera muito mais que isso ao seu contratante. O problema está em nós, que financiamos uma indústria que cria ídolos que não se esforçam como deveriam, passam o jogo inteiro querendo enganar o juiz e nunca assumem a culpa da derrota e a grandeza do adversário.
(Nem vou comentar a fábrica de "heróis" e "guerreiros" televisivos como BBBs, filhas da Gretchen e tantos outros porque já é idiotice demais para levar em consideração. Vamos falar de esporte.) 
Vale ressaltar que o problema não está no futebol em si, o esporte mais amado do mundo, incontestavelmente. O problema está no foco que estamos colocando neste esporte. Precisamos de mais valores dentro de campo e menos zoação na segunda-feira da firma. O fato de o comentarista de arbitragem ser um dos principais atores da transmissão mostra que algo está errado atualmente.
Comecei a relativizar os ídolos do futebol logo depois da minha primeira partida de rugby. Chega a ser patético você todo quebrado, machucado e esfolado em nome do time amador da faculdade ver um dos milionários do futebol sair de maca do gramado porque fingiu que machucou a canela.  Eu perdi o estômago pra isso. 

Durante minha curta vida rugbística, vi muitos amigos dando uma raça absurda pra jogar, às vezes sem o preparo  necessário, mas com o máximo de amor por uma equipe que você possa imaginar. E posso afirmar que isso ocorre em todos os níveis, desde as equipes universitárias até a seleção brasileira. Se cada um soubesse o que os jogadores da seleção de rugby fizeram para ela estar nessa margem de crescimento atual, teriam vergonha de ver gente pedindo autógrafo pro Neymar. 
Um dos meus traumas de infância foi não ter recebido nenhum aceno do Zetti quando ele foi jogar pelo Palmeiras em São José. Lembro que era pequeno e chorei pra caramba. Pois bem, estes dias estava lendo sobre a Ultramaratona de Badwater, que acontece no Vale da Morte, na Califórnia, e percorre 217 km numa temperatura média de 45°C! Qual não foi minha surpresa ao descobrir que o recordista da prova era um brasileiro, Valmir Nunes! Descobri o email dele e resolvi escrever parabenizando-o. Eis a resposta dele:

Boa tarde, Paulo
Obrigado por suas palavras. A corrida é apaixonante. Continue treinando. 
Sao pessoas como voce que me fazem continuar em busca de meus sonhos.
Grande abs
Valmir

Esse tipo de ídolo que quero pro meu filho!
Quantas vezes nas corridas me deparei com gente que tinha tudo pra reclamar da vida, mas achou melhor seguir em frente. Toda vez me emociono ao cruzar com cadeirantes, com aquela mãe de São José que leva a filha com paralisia em todas as corridas, com pessoas mais velhas que resolveram não se entregar ao sofá. Lembro que o motivo que me levou a correr é tão menor do que o dessa gente e isso me dá ainda mais gás para sempre dar o meu melhor, porque esses caras sim são heróis pra mim.
Quando levei o Ale pra competir a primeira vez, ele estava meio preocupado e me perguntou:
-Papai, mas se eu não ganhar?
Daí respondi:
-Ale, a única maneira de você me deixar triste hoje é se você não se esforçar. A vitória ou a derrota é indiferente se você der seu máximo.
Não importa o esporte que ele resolva praticar, quero que ele siga exemplos como este, de não reclamar e seguir em frente:


Para terminar este desbafo contra heróis fajutos, conto que a Meia Maratona de Assunção teve vitória brasileira. Esta é a imagem da chegada, quando Alexandre Elias esperou seu colega de equipe para cruzarem juntos a faixa de chegada! Treta demais!
Provavelmente você nunca teria ouvido falar dele, mas certamente viu alguma imagem de impedimento mal marcado esta semana.

 
  Obs: a corrida tinha prêmio em dinheiro!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

A irracionalidade do futebol

Sempre achei as pessoas que não gostavam de futebol muito chatas, até que me tornei uma delas. Futebol, assim como algumas crenças, não se presta muito à racionalização. Há que se ter fé, acompanhar com o coração, porque do contrário você para de seguir. E eu resolvi pensar. Depois que meu filho nasceu parei de me importar com o futebol como fazia antigamente. Lembro de uma vez estar no hospital com ele e assistir na tv da sala de espera o São Paulo ser campeão da Libertadores, um dos meus maiores pesadelos. Naquele momento vi que se a bola do adversário entrasse ou não no gol dos malas dos são-paulinos era muito menos importante do que eu estava vivendo ali. Agradeço sempre por esse dia, quando aprendi que momentos com pessoas queridas valem muito mais que uma partida de futebol.
A recente briga entre torcedores da Gaviões e da Mancha me fez acreditar ainda mais que fiz uma boa escolha. Não consigo entender como uma pessoa de origem humilde, que ganha pra sobreviver, chega ao ponto de matar e morrer por um resultado que só pode ser mudado por jogadores que ganham centenas de milhares de reais e que, na verdade, pouco se importam com o resultado, caso contrário sairiam abatidos de campo, o que ocorre em raras exceções.
Este texto parece aquele papo de babaca "qual é a graça de 22 homens correndo atrás de uma bola". Em certa medida é, mas não tão babaca assim. Temos que pensar o que queremos do futebol. Diversão ou fanatismo? Eu me libertei e hoje tenho uma vida muito mais tranqüila sem me importar se o Palmeiras ganhou ou perdeu.
Outra notícia recente foi a discussão sobre a proibição de cervejas nos estádios durante a Copa, pelo risco da violência. Não poder tomar cerveja no estádio é o atestado de óbito da diversão no futebol. Agora vamos todos pra brigar e xingar, não para torcer e se divertir. Proibir a cerveja no estádio é como proibir a pipoca no cinema. Os estádios vazios deixam muito claro que o futebol deixou de ser uma opção de lazer viável para as famílias, infelizmente.
Agora, não gostar de futebol é um desafio e tanto. O papo sempre descamba pra futebol e se você não emitir uma opinião você vira chato. O problema é que eu ando muito perdido no assunto, não sei nem que são os jogadores mais. Gosto, no entanto, dos papos exóticos, como aqueles do “Loucos por Futebol”. Saber nomes de times, estádios, curiosidades históricas, isso tudo ainda me diverte, mas se o Zezinho deveria jogar de meia-esquerda ou de volante, para isso eu estou pouco me lixando. Esses papos de mesa redonda me dão nos nervos. Há uma paródia do Marcelo Adnet que resume bem as discussões sobre futebol:



 Outro fenômeno atual é o "Aqui é Curtintia" no Facebook. Basta ter um jogo mais importante que no mural do facebook aparece uma infinidade de gente se vangloriando pela vitória do time pelo qual torce. O pior é que essas pessoas não apenas comemoram, mas querem diminuir os que torcem para os outros times o tempo todo. É aquela teoria: olhem só, meu time é melhor, sou melhor que você, meninas gostem de mim porque o time pelo qual torço é melhor..... As pessoas se sentem superiores sem terem feito, ao menos, um golzinho com os próprios pés. Esses dias veio um cara conversar comigo com aquele papo de tiozão de churrasco e passou o tempo todo zuando o Palmeiras, me provocando porque o Palmeiras perdeu pra sei lá quem. Já estava de saco na lua até que falei pra ele: Amigo, eu não joguei, não pude fazer nada pro Palmeiras ganhar, estou aqui no Paraguai, e o fato do seu time ser melhor não faz a menor diferença na minha vida. 
Desagradei, mas não ouvirei mais "e o seu Palmeieras, ein?".
Por fim, sábias palavras do grande Marcos:

 


 * Nota: Todo esse meu papo não vale quando o assunto é o São José.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O Museu do Futebol Sul-americano na Conmebol

        O Museu do Futebol Sul-Americano é passeio obrigatório no Paraguai para quem gosta de futebol. O Museu fica na cidade de Luque, na sede da Conmebol, a pouca distância do Aeroporto Internacional Silvio Petirossi. Inaugurado em 2009, impressiona pela beleza e pelo acervo. O mais divertido, no entanto, é a visita guiada, que começa às 16h. (É bom ligar antes para confirmar horário das visitas- + 595 21 645781). Quando fui, a visita era gratuita.
       Com um conhecimento absurdo sobre futebol, o guia discorre sobre o acervo do museu ao mesmo tempo em que ensina e desafia a memória dos visitantes, premiando as respostas corretas com livros de futebol. Como havia gente da Argentina, Colômbia, Equador, Uruguai, Brasil e, claro, Paraguai na nossa visita, o desafio ficou interessante. 
       Por ser um museu voltado às competições sul-americanas, torcedores de times sem muita familiaridade com a Libertadores podem pular diretamente para a parte de campeonatos de seleções, como a Copa América. Nessa área, estão réplicas de todas as taças vencidas pelas seleções da América do Sul. Arrepia chegar e ver as 5 Copas do Mundo na parte brasileira.
       Apesar de o Museu ter o grande defeito de não ter o símbolo do São José, está lá exposta a última Libertadores feminina, vencida pela Águia do Vale. 


A Libertadores Feminina vencida pelo São José
Painel com diversos clubes da América. Faltou o São José!
Cartaz dos trabalhadores mexicanos na Copa de 1970
  
As boas vindas do Presidente da Conmebol



Aperte aqui e descubra de onde é esse time


O Museu é tão abrangente que tem até o Noroeste...


O guia e seus desafios
Isso ninguém tem!
        

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

São José, um amor em azul e amarelo

      
       Antes de começar a falar de futebol aqui tenho que admitir que não há nenhuma racionalidade em perder seu humor porque os 11 caras da sua cidade não conseguiram fazer a bola passar mais vezes do que o necessário pelo gol do time adversário. Desde que meu filho nasceu comecei a me importar menos com futebol e mais com o tempo que passo com ele. Tem dado certo em alguma medida. Já não perco meu tempo vendo jogos de outros times considerados importantes. A paixão pelo rugby ofuscou ainda mais o entusiasmo pelo futebol. Este autocontrole zen vai por água abaixo, no entanto, quando as cores azul e amarelo entram em campo. Assim como o Pateta fica transtornado quando entra no carro e se aventura no trânsito, fica difícil me controlar quando passo pelas portas do Martins Pereira para torcer pro São José. Desde bebê fui levado para o estádio pelo meu pai, de quem herdei a paixão pelo São José. Esse tipo de amor não se apaga de um dia pro outro.
        Quando me perguntam pra que time eu torço e digo São José as pessoas têm uma grande dificuldade em me levar a sério. Parece que eu falei que torço pro Marte F.C. Dependendo de quem pergunta, pra encurtar a conversa, acabo dizendo que sou palmeirense. Já fui, mas não ligo mais, apesar de não acreditarem. 
      Meu colega Rezek, apaixonado pelo Uberlândia, um dia perguntou pra minha mulher para quem eu torceria num jogo entre Palmeiras e São José. Ela respondeu erroneamente Palmeiras e o Rezek cochichou no meu ouvido: se fosse minha mulher eu separava.  
       Torcer para um time é fazer parte de um grupo, de uma identidade. Por que torcemos? Se seu time ganha, você se sente ganhador e mais feliz, a sociedade teoricamente o respeita mais, aumenta sua autoestima e você acredita que fará mais sucesso com o sexo oposto (ou não), objetivo único de todas as atividades humanas. Se isso é verdade, então por que torcer para um time cuja única conquista relevante é o vice-campeonato paulista de 1989? Acho que diante das adversidades de ser um time do interior, cada vitória sobre o rival de outra cidade é uma injeção de autoestima. É como se falássemos: "nós, aqui de São José, somos melhores! Temos os melhores genes! Ganhamos até de times maiores". Mas isso é só uma teoria de racionalizar um sentimento difícil de explicar. Vou ao estádio porque é legal, simples assim. Adoro ir na companhia do meu pai, vestir minha camisa velha da sorte (que nem minha mãe nem minha mulher me deixam usar em casa), poder parar o carro na porta, comprar o ingresso na hora, sentir o cheiro dos churrasquinhos de gato, comer pipoca com queijo, xingar o juiz, gritar gol, pedir substituição e ser atendido (em estádio pequeno dá), encontrar meu amigo Biri, conversar com desconhecidos.
         Estes dias estava jogando bola com meu filho na quadra em frente de casa. Observando as crianças vi camisas do Mancheter, Chelsea, Barcelona, Real Madrid e Milan. Havia uma única camisa de time brasileiro, a do Corinthians. Quando separamos os times, um deles escolheu ser o Corinthias e o outro, para minha surpresa, o Barcelona. Como pode, num país pentacampeão do mundo, as crianças escolherem torcer para times de outro continente? Se você liga na ESPN ou SPORTV provavelmente conseguirá saber o resultado e ver os gols de Hull x Bolton, Benfica x Marítimo ou Lecce x Torino. Mas experimente descobrir quanto foi Taubaté x XV de Jaú. Missão quase impossível nos dias atuais. A ESPN agora deu de transmitir o campeonato russo! Assim, vivemos hoje em uma sociedade em que você tem o incrível privilégio de acompanhar ao vivo Lokomotiv x Rubin Kazan mas não consegue saber como foi o gol do time de sua cidade.
         Depois da experiência de ver os meninos todos torcendo "pras Europa", achei que estava mais do que na hora de levar o meu para ver o jogo do São José. E lá fomos nós. Nesses momentos é que você vê aquele comercial de margarina sobre paternidade tornar-se realidade diante dos seus olhos. Levar meu filho ao estádio foi voltar ao passado e lembrar das inúmeras vezes em que fui carregado pelo meu pai. Deu pra ver os olhinhos dele brilhando na primeira vez que viu um estádio cheio. Era São José x Guarani, para um público de mais de 5 mil pessoas. Gotas de água salgada da mais viril masculinidade escorreram do meu rosto ao vê-lo gritando São José. Era a paixão por um time sendo transmitida à terceira geração.
          Assim como sempre acontece com seu padrinho, meu filho logo foi atraído pela baixa-grastronomia no estádio. Pipoca, picolé, amendoim, cachorro quente e coca-cola gelada! Aliás, o Barcelona pode até ter o Messi, mas não tem um picolé de limão tão bacana como esse aí do lado.
     Devo confessar que o jogo não foi tão divertido pra ele. Acostumado com o Playstation, em que os jogos acabam no mínimo 10x8, deu pra ver que ele achou o 0x0 do primeiro tempo entediante. No intervalo, me disse: Papai, queria que o Pelé jogasse no São José, porque daí eu poderia ver uns gols.
       No primeiro tempo o time foi realmente mal, o que gerou a segunda frase do dia:
           - Papai, o moço ali atrás falou "Vai tomar no C*"!
       -Eu ouvi filho, mas se você repetir isso em casa eu to ferrado.         
        No segundo tempo o time rendeu mais e fez dois gols, para nossa alegria! A Águia do Vale ganhou não só os três pontos, mas também um novo torcedor! Quando chegamos em casa minha mãe disse: "Xii, mais um pra ir feliz ao estádio no domingo ver o São José e voltar cabisbaixo depois do jogo"!
          Já são 12 anos na segunda divisão do Paulista, espero que este ano possamos gritar é campeão.
         Se você ainda não é pai e quer saber qual é a emoção de levar seu filho ao estádio pela primeira vez, este vídeo é um belo exemplo: