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sexta-feira, 26 de abril de 2013

Lá na casa do meu vô




     Hoje me deu saudade da casa do meu avô e passei o dia lembrando do que tinha lá.
     Quando íamos pra casa do meu vô, em Itajubá, passávamos por Guaratinguetá, e meus dois irmãos se abraçavam dizendo que só quem nascia lá poderia se abraçar. Eu sempre chorava, e meu pai me consolava falando maravilhas da minha cidade e dizendo que São José era bem melhor. Isso me acalmava e eu parava de chorar. Isso explica muita coisa.
     A casa do meu avô ficava bem no começo de Itajubá, para minha sorte, porque eu sempre passava mal na serra. Depois da fábrica de armas, passávamos uma campinho de futebol numa praça à esquerda e pronto, bastava virar no SupergásBras e parar na casa de cerca branca na esquina da direita.
    Era abrir o portão e correr pelo caminho no jardim para ganhar o primeiro abraço do Zé Braga e da Dona Laura. Meu pai ouvia o "Fez boa viagem, filho?" - que eu ouço agora quando chego no aeroporto- e descarregava as malas.
    A casa do meu avô quase nunca estava vazia, sempre havia um parente batendo papo ou esperando nossa chegada. 
    Para nós, crianças, havia Yakult, Babaloo e Sonho de Valsa à vontade, mas escondido no móvel de madeira da cozinha.
   Logo quando chegávamos, o primeiro programa era ver a horta que ele mantinha. O forte era a couve, que vendia para quem passasse na rua, mas havia de tudo. No terreno ao lado da casa, meu vô plantava as árvores maiores. Hoje, ao ver o sacrifício que minhas mudas fazem para crescer em frente de casa, entendo o orgulho que meu vô tinha ao mostrar como estava alto o pé de limão, de banana, de mexerica, etc... O limão era o galego, o melhor para espremer no feijão com arroz que minha vó fazia. Neste terreno, uma vez meu vô criou um porco, que chamamos de Zetti. Lembro muito dele e um dia terei outro porco pra chamar de meu.
    Lembro de outras plantas marcantes. No centro do quintal havia uma palmeira, que continha em seu tronco todos os nomes dos primos rabiscados. Havia um pé de figo, cujo doce minha mãe adorava. A parreira, que veio um pouco mais tarde, produzia os cachos de uva mais doces que já provei. Era parente da parreira que tinha na tia Sirley, minha madrinha, cuja produção era impressionante.
    Na entrada da casa havia um pé de romã e as roseiras da minha vó. Que delícia comer o romã descascado direto da mão do meu avô. Lembro que as rosas eram enormes também, talvez porque eu fosse pequeno, mas a vermelhidão delas era certa. Quando saio pela rua de bicicleta hoje em dia e me deparo com casas bem simples com esta combinação de pé de romã e rosas meu cérebro emite um alerta: isto é casa de vó.
    Para terminar a parte da horta, havia uma árvore com uma pedra presa entre os galhos. Aquilo me fascinava. Diziam que ela nunca sairia de lá. Eu juro que tentei minha infância inteira puxá-la, mas acho que nem o rei Artur conseguiria.
   No espaço em que só havia grama, podíamos jogar bola. Eu, irmão mais novo, era sempre o goleiro. Fui Zetti e Veloso no quintal do meu avô. Jogávamos também no portão da distribuidora de gás, mas o barulho era demais pra quem estava lá dentro trabalhando.
   Quando a grama estava alta, meu avô abria o portão e um cavalo fazia as vezes de jardineiro. Era fascinante aquele animalzão dentro do quintal do meu avô. Combinava com minha camiseta de cavalinhos da foto.
   O café da tarde era sempre cheio de gente e podíamos rever os tios e primos de longe. Café doce e biscoito de polvilho. A coca-cola era de vidro e bem gelada. Depois dos salgados, meu avô descascava cana pra gente. Quando queríamos sorvete, ele arranjava um pote escondido no quartinho e ia buscar na sorveteria perto da rodovia. Até hoje peço sorvete de chiclete nos lugares por causa daquele sorvete que tinha perto da rodovia.
   Na casa do meu avô tinha um corredor, com aquela tradicional foto antiga de casal, com ele e minha vó. Eu dormia no último quarto com meus pais. Meu vô acendia um abajur no chão perto da porta para não dormirmos no escuro. No frio, minha vó punha tanta coberta em cima da gente que quase não dava pra virar na cama, mas era uma delícia dormir naquele frio de Itajubá. A gente dormia depois de comer a sopa da minha vó e de assistir ao jornal nacional, que meu vô via de boné porque a luz da sala atrapalhava. Minha vó beijava o retrato da minha bisavó e ia dormir. Às 6h eles já estavam de pé.
   Na casa no meu avô tinha cadeiras na varanda pra ver o movimento da rua. Meu vô me punha no colo e cantava "Serra Serra Serrador" e eu segurava forte na mão dele para não cair no chão quando ele me balançava. Foi nessa cadeira que ouvi pela primeira vez, talvez com uns 10 anos de idade, que eu seria diplomata. Foi meu pai falando pro meu tio Elpídio. Lembro como ontem.
   De um lado da cadeira havia um rádio velho que pegava estações do mundo todo, mas o que tocava mais era moda de viola, que aprendi a gostar desde essa época da vida. Do outro lado, uma bicicleta do tipo camelo que meu vô usava pra ir à feira. Na parede, passarinhos por todos os lados, a sua grande paixão. Na casa do meu vô, pintassilgo era o rei e os pardais, o diabo. Meu vô tinha uma arapuca para apanhar rolinhas para nós vermos de perto. 
   A parte mais legal da casa, para mim, era o quartinho onde meu vô "tratava dos passarinhos". Acho que nunca vi minha vó lá dentro. Era um quartinho masculino, com ferramentas, gaiolas, ração pra pássaros, fumo de rolo e pinga. Era lá que ele preparava seu cigarro de palha e tomava uma dose de pinga. Como eu era criança, eu só podia cheirar a pinga. Quem experimentou afirma que havia uma pinga inigualável, cuja única identificação era a palavra "amarela" escrita num pequeno adesivo.
   Tinha dia que meu vô levava meus irmãos e meus primos para passear no morro e contava história de terror. Eu não podia ir, mas sempre soube que eram das mais amedrontadoras.
   Meu avô, já com mais idade, batia papo com conhecidos na rua e depois perguntava para minha vó: “Qual é esse com quem conversei agora, Laura?”
  Meu avô mostrava as veias da mão e dizia que seu sangue era azul, porque era descendente da realeza. Como era azul mesmo, eu acreditava. Dos pais do meu avô eu sei pouco, só que eram da roça em Brasópolis-MG. Nunca tive muita curiosidade de pesquisar. Talvez porque um dia, quando fui com meu vô cortar cabelo no nosso primo Geraldinho, que era fissurado pela genealogia da família e não parava de fazer perguntas sobre isso, meu vô disse:
- Ô Geraldinho, nós somos todos índios, agora corta esse cabelo logo!
 Hoje, perto da casa do meu vô, há uma rua com nome dele, mas o que importa é que, no fundo, sempre seremos índios, pois a nobreza ele nos mostrou que vem do coração.  





sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Muita cachaça -Paraisópolis e Taubaté

       Duas fotos de lojas que tive o prazer de conhecer e que mais parecem uma biblioteca de cachaças.
       A primeira fica em um posto de gasolina de Paraisópolis, sul de Minas, e a segunda em Taubaté-SP, no mercado municipal. Dureza foi escolher qual levar.




quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Manifesto contra a frescurização da cachaça

        Se tem algo que quem não é do mundo do vinho detesta é a frescura com que os supostos entendidos  escolhem suas bebidas. Quer tirar minha paciência é alguém atrasar todo o pedido de comida na mesa do restaurante porque está sabatinando o garçom sobre a melhor safra dos vinhos disponíveis na carta de vinho. E o que falar da patética cena da degustação e aprovação perante o garçom? Estes dias vi um cara na mesa ao lado devolver o vinho porque achou sinais de desgaste na rolha, o que supostamente interferiu no sabor do vinho. Se eu fosse o garçom desgastaria a cara dele, mas deixa pra lá.
           Outra chatice são esses sabores que só os enófilos sentem. Notas de baunilha, bouquet de carvalho, aveludado, amêndoas, banana, etc.. Para mim isso tudo tem aroma de abobrinha. O máximo que sinto são notas de cortiça quando deixo a rolha cair dentro da garrafa. Como caipira, tenho sempre duas opiniões sobre os vinhos: é bom ou é ruim. Queria realmente poder sentir tudo isso em um vinho, deve ser mágico! Os testes cegos são os melhores antídotos contra os enochatos. Eis um aqui um vídeo muito bom:

         Tenho para mim que o vinho ganhou força no Brasil como uma nova fronteira de diferenciação da classe média, que sempre buscou incorporar sinais de sofisticação a todo momento. Decantadores, saca-rolhas mágicos, mini adegas eletrônicas e diferentes tamanhos de copo são parafernálias obrigatórias na casa do casal moderno brasileiro. As pessoas querem se sentir especiais não apenas consumindo um bom vinho (pessoas chatas sempre usam o "bom" na frente de vinho), mas afirmando sentir sensações no paladar que os enólogos garantem que estão naquele determinado vinho. Isso me lembra a fábula "A Nova Roupa do Rei", de Hans Christian Andersen, em que todos diziam enxergar a roupa invisível do rei, que só os inteligentes poderiam ver, para não serem chamadas de burra. Será que alguém um dia gritará no mundo dos vinhos: o Rei está nu?
          Uma das primeiras coisas que minha turma do Rio Branco fez foi se matricular num curso de vinhos. Tudo bem que o vinho sempre estará presente na nossa carreira, mas e a bebida nacional, será que conhecem suficientemente bem?
     O grande mal que a enochatice tem feito é criar um estereótipo que prejudica os verdadeiros apreciadores. Apesar de não entender nada, gosto de vinho, adoro ganhar de presente e tenho muitos amigos que realmente conhecem vinhos e que sabem apreciar as diferentes nuâncias de aroma e sabor, mas que bebem tranquilamente em sua casa ou no restaurante, sem anunciar aos quatro cantos que escolheu aquele vinho porque ele é de tal região ou safra. O mundo do vinho é espetacular e acredito que as pessoas entendidas também devem estar um pouco enfadadas dos enochatos.
       Pois bem, depois de discorrer sobre enochatice e expor meu trauma com vinhos (sempre que devolvo a carta de vinhos recebo um olhar de "humpf, moleque" do garçom ao pedir coca-cola), vamos falar do que interessa: cachaça.
        Geralmente, quando se conversa de cachaça os principais adjetivos utilizados resumem-se a: boa/ruim, amarela/branca e forte/fraca. Às vezes escapa um "macia" aqui, um " braba" acolá, mas nada muito além disso, pois caipira não é de ficar descrevendo muito as coisas não. Acontece que isso tem mudado, infelizmente (pelo menos para mim). Estamos sendo contaminados pela enochatice. Fui ler o Ranking Playboy da Cachaça de 2011, que é hoje a principal lista sobre a bebida no país, e eis as descrições que encontrei para algumas delas:
- "a viscosidade e as notas de baunilha e caramelo agradam"
- "licorosa, com um amargor confortável"
- "tostada, complexa, tem algo de amêndoa"
- "o resultado é algo herbáceo, com predominância de anis e eucalipto"
- "sabor de banana verde, o aroma de Sândalo e o paladar pontual"
- "baunilha, couro, amêndoa caramelada"
- "tem sândalo no aroma e sabor picante"
- "textura licorosa, aroma forte e doce, sabores de caramelo, rapadura e especiarias".
- "doce, leve e com notas de banana verde"
- "doce, amanteigada, licorosa"

        Acho que se eu fosse produtor de cachaça e fizesse meu produto com todo esmero iria ficar muito chateado se alguém falasse que ele tem gosto de banana verde ou rapadura.Vamos imaginar que você cuidou da sua lavoura de cana, do processo de fermentação, da destilação, comprou os melhores barris, contratou técnicos, fez uma garrafa com bela apresentação e conseguiu figurar no ranking das melhores cachaças do Brasil, daí vem um "conhecedor" e diz que ela lembra...Couro!?!?!? Couro????
       Não sei por que as pessoas insistem em achar que beber é brincar de procurar sabor exótico. A própria Playboy não deixou barato e na apresentação da degustadora Bel Coelho, dona das frases, disse que ela tem um paladar e olfato sobre-humanos. Pois é...
          O outro degustador que colaborou com a revista foi Leandro Batista. Esse sim vale a pena conhecer. Seus vídeos no site Mapa da Cachaça são uma aula obrigatória para quem quer conhecer mais sobre o assunto. Para mim, a melhor descrição de cachaça feita nesta edição do ranking foi do Marcelo Tas, sobre a Cachaça MatoDentro: tem "sabor de infância". Simples, mas diz muito.
     


Comprando vinho x comprando cachaça

         Numa mesma semana passei por duas experiências diferentes ao comprar um vinho e uma cachaça.
         Como era aniversário de um grande amigo, resolvemos presenteá-lo com um bom vinho (essa expressão bom vinho é insuportável e inevitável), que hoje em dia ocupa o lugar outrora do CD no rol dos presentes sem muita criatividade. Fomos a uma adega no shopping Iguatemy de Brasília e eu já estava escolhendo algum vinho pelo meu método do rótulo bonitinho quando minha mulher resolveu pedir dicas ao vendedor, que falava mais que a boca. Daí ele começou com a tradicional chatice dos enólogos, nos mostrando um vinho nada a ver:
          - Esse vinho é mais incorpado, ideal para pessoas com mais personalidade. Tem sido uma nova tendência de vendas aqui na adega. Desde pessoas sofisticadas aos mais tradicionais desgustadores estão escolhendo este vinho porque ele possui uma ótima harmonização.
          - E de onde é? (pergunta feita porque tenho curiosidade de saber de onde são todos os produtos que compro)
          - É de uma região do sul da França, em que a terra tem qualidades especiais, por ser plantado em solo antigo de videiras tradicionais. O seu amigo prefere que tipo de uva? Porque se for uva Chardonnay, aconselho a levar este aqui, que tem notas de carvalho, com suave gosto de amendôas e banana. O final é potente e aveludado, demonstrando a personalidade do vinho. Se você optar pelo Merlot, te ofereço opções mais contemporâneas de produção, cujo o buquê é incrível.
          O bla bla bla eno-chato seguiu por uns  minutos..
          - Não, eu quero aquele ali. Arlequin.
          - Ótima escolha, você conhece este vinho?
          - Na verdade não, mas o rótulo e o nome são iguais aos de uma camisa de rugby que um dia ele me deu, dos Harlequins de Londres.
          - Ah (cara de decepção). Mas então vou embrulhar nessa embalagem especial para o senhor, que acompanha nossa carta de vinhos mais atual.
          Apesar de ter sido escolhido assim, o vinho revelou-se um ótimo presente. O fato de ter feito referência à camisa de rugby tirou a impessoalidade de dar-se um vinho. Aliás, ainda recebemos elogios pelo vinho, que desconfiei ser bom pelo preço...
          No fim de semana fui ao Mercado Municipal de Belo Horizonte comprar cachaça. Depois de comprar a Lua Cheia, que estava procurando, resolvi perguntar de outra que estava ali. O diálogo inteiro foi o seguinte:
          - E aquela ali?
          - É boa.
          - De onde é?
          -Minas. Toma um golinho.
          -Boa mesmo.
          -Vou embrulhar no jornal pra você.
    
         Agora em Assunção, sempre que possível, tenho presentado as pessoas com cachaça e a estratégia parace estar dando certo!


domingo, 4 de dezembro de 2011

Cachaças: boas surpresas em 2011


            Neste ano descobri cachaças muito boas, que comprei sem referência prévia, mas que no primeiro gole entraram para a lista das minhas preferidas. Por não serem facilmente encontradas em todos os cantos do Brasil são ainda mais especiais. Como bebo pouco e consumo mais na companhia de amigos, o fato dessas cachaças terem acabado rapidamente é um bom indício de sua qualidade e aceitação.
           
Cachaça Mucambo
            Comprei essa cachaça em um posto de gasolina em Goianinha-RN, enquanto voltava de São José de Mipibu pra Natal, na casa do meu grande amigo e parceiro de degustação Pipo Abbott. Depois descobri que a cachaça, irmã das mais conhecida Maria Boa, é produzida ali mesmo, em Goianinha, centro tradicional de produção de cachaças no Rio Grande do Norte. Envelhecida em barris de amburama, a Mucambo tem uma ótima apresentação, com rótulo moderno e simples. Sua coloração é bem amarelada e, além de ser gostosa de tomar, a Mucambo tem um aroma único, que nunca encontrei em outra cachaça. Tudo bem que compramos cachaças pra beber, mas para quem gosta de experiências multisensoriais ao beber um dose (modo "enólogo babaca" ligado) vale a pena experimentar. Infelizmente comprei apenas uma garrafa de 300 ml e agora espero um nova viagem pra Natal para reintegrá-la à coleção.
Aqui está o site da cachaça: http://www.cachacasdegoianinha.com.br/

Cachaça Dedo de Prosa
              Essa foi sem dúvida a maior surpresa em 2011. Ganhei de presente do meu pai, que a comprou em Itajubá-MG. Produzida em Piranguinho, no sul de Minas, a versão envelhecida em caravalho foi o maior sucesso etílico entre as visitas lá em casa. Durante um churrasco, o pai de um amigo a pediu encarecidamente de presente! Quando acabou a de carvalho, comprei a envelhecida em Louro Canela, que também é espetacular. Me chamou a atenção o fato de ter agradado muito ao público feminino também, algo não muito fácil para as cachaças.
              Para se ter uma idéia da seriedade com que é feita, vale a pena dar uma olhada no site: http://www.cachacadedodeprosa.com.br/

Cachaça Áurea Custódio
               Fui a Belo Horizonte para o St. Patrick`s Day do BH Rugby e, como não poderia deixar de ser, passei no Mercado Municipal para comer pastel e comprar cachaça. Estava pesquisando o preço dos barris em uma das lojas quando entrou um cliente e perguntou ao dono sobre a Áurea Custódio. Apesar de depois ter descoberto que a cachaça já ganhou prêmios, ela era então desconhecida para mim. O vendedor disse que havia sim e que custava R$57,00! Ao ouvir o preço, como bom filho de mineiros, pensei logo se tratar de combinação entre o visitante e vendedor. No entanto, a convicção dos dois era tanta sobre a qualidade da cachaça, envelhecida por 3 anos em carvalho, que não resisti e levei. Apesar do preço, que descobri ser este mesmo, a Áurea Custódio, de Ribeirão das Neves-MG, valeu a pena. Foi dessas cachaças que pude oferecer sem medo, pois agradou a todos. Deixou saudade na coleção.

Cachaça Orgulho Mineiro
              Essa foi outra das contribuições dos meus pais em suas viagens pelo sul de Minas. Produzida em Borda da Mata-MG, a Orgulho Mineiro chama a atenção pela garrafa envolta em cortiça e pelo copo em formato de barril que a acompanha. Ela exala um odor muito agradável, daqueles que avisam: vem cachaça pela frente! Estive conversando com um amigo do meu pai sobre pingas quando ele a recomendou, atestando o que eu já havia achado sobre a pinga.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Cachaça Mato Dentro- São Luiz do Paraitinga

Cachaça MatoDentro
                 Quando vi no Ranking da Playboy a Cachaça MatoDentro, em 15° lugar,  fiquei com vontade de conhecer. Ela e a Sapucaia, de Pindamonhangaba, são as únicas cachaças do Vale do Paraíba que constam no ranking. Pesquisei um pouco na Internet e li alguns relatos de pessoas que tinham sido muito bem recebidas na visita.
                O alambique fica no KM 35 da Oswaldo Cruz, em uma discreta entrada à esquerda de quem vai pro litoral. Tocamos a campainha e fomos recebidos pelos donos, um casal muito simpático e cortês que nos levou até o alambique. O seu Rômulo me disse que eles recebem uma média de 2 a 3 visitas diariamente. No alambique se pode ver todos os produtos e, claro, degustá-los. Apesar de a cachaça Premium Prata ser a mais famosa, há também a ouro e a com cambuci, para se tomar gelada. Uma beleza!
               A cachaçaria investiu em um rótulo novo e moderno. Eu, no entanto, prefiro o antigo, que tem mais cara de cachaça da roça.
Sede do alambique
             Voltando à visita, o Seu Rômulo é uma pessoa espetacular. Com seus 86 anos tem uma vitalidade de jovem e toca um negócio de sucesso por hobby. A prosa se estendeu bastante, assim como as bebericadas. A dica é sempre levar alguém para dirigir pra você na volta.
              Perguntei a ele sobre a entrada no Ranking da Playboy. Segundo me contou, após experimentarem sua cachaça num boteco de Santos, os organizadores ligaram pedindo amostras. Seu Rômulo não deu muita bola pro papo, até ser convencido por um amigo, que argumentou não haver nada a perder.
              Hoje a cachaça também figura no ranking da USP com toda justiça. Desde o começo de sua produção, a cachaçaria buscou assessoria e utiliza as melhores matérias-primas.

Realmente é muito boa!
Eis o site do alambique:
http://www.cachacamatodentro.com.br/MATO_DENTRO/matodentro.html



Barris de carvalho trazidos de Santa Catarina