quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Comprando vinho x comprando cachaça

         Numa mesma semana passei por duas experiências diferentes ao comprar um vinho e uma cachaça.
         Como era aniversário de um grande amigo, resolvemos presenteá-lo com um bom vinho (essa expressão bom vinho é insuportável e inevitável), que hoje em dia ocupa o lugar outrora do CD no rol dos presentes sem muita criatividade. Fomos a uma adega no shopping Iguatemy de Brasília e eu já estava escolhendo algum vinho pelo meu método do rótulo bonitinho quando minha mulher resolveu pedir dicas ao vendedor, que falava mais que a boca. Daí ele começou com a tradicional chatice dos enólogos, nos mostrando um vinho nada a ver:
          - Esse vinho é mais incorpado, ideal para pessoas com mais personalidade. Tem sido uma nova tendência de vendas aqui na adega. Desde pessoas sofisticadas aos mais tradicionais desgustadores estão escolhendo este vinho porque ele possui uma ótima harmonização.
          - E de onde é? (pergunta feita porque tenho curiosidade de saber de onde são todos os produtos que compro)
          - É de uma região do sul da França, em que a terra tem qualidades especiais, por ser plantado em solo antigo de videiras tradicionais. O seu amigo prefere que tipo de uva? Porque se for uva Chardonnay, aconselho a levar este aqui, que tem notas de carvalho, com suave gosto de amendôas e banana. O final é potente e aveludado, demonstrando a personalidade do vinho. Se você optar pelo Merlot, te ofereço opções mais contemporâneas de produção, cujo o buquê é incrível.
          O bla bla bla eno-chato seguiu por uns  minutos..
          - Não, eu quero aquele ali. Arlequin.
          - Ótima escolha, você conhece este vinho?
          - Na verdade não, mas o rótulo e o nome são iguais aos de uma camisa de rugby que um dia ele me deu, dos Harlequins de Londres.
          - Ah (cara de decepção). Mas então vou embrulhar nessa embalagem especial para o senhor, que acompanha nossa carta de vinhos mais atual.
          Apesar de ter sido escolhido assim, o vinho revelou-se um ótimo presente. O fato de ter feito referência à camisa de rugby tirou a impessoalidade de dar-se um vinho. Aliás, ainda recebemos elogios pelo vinho, que desconfiei ser bom pelo preço...
          No fim de semana fui ao Mercado Municipal de Belo Horizonte comprar cachaça. Depois de comprar a Lua Cheia, que estava procurando, resolvi perguntar de outra que estava ali. O diálogo inteiro foi o seguinte:
          - E aquela ali?
          - É boa.
          - De onde é?
          -Minas. Toma um golinho.
          -Boa mesmo.
          -Vou embrulhar no jornal pra você.
    
         Agora em Assunção, sempre que possível, tenho presentado as pessoas com cachaça e a estratégia parace estar dando certo!


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