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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Estabilidade literária. O que você leu em 2012?

O que você está lendo de bom aí?
imagem: readtoday.com

"Livros não mudam o mundo,
quem muda o mundo são as pessoas.
Os livros só mudam as pessoas."
Mario Quintana

    Quando se fala em funcionário público, uma das primeiras coisas que vêm à cabeça é a famosa estabilidade. O que para muitos é sinônimo apenas de estabilidade financeira, às vezes ganha novos contornos. Para mim, há uma estabilidade fundamental, que por muito tempo ansiei: a estabilidade literária, ou "poder ler o que quiser e quando quiser".
    Comecei a gostar de ler meio tarde, no meio do 3° colegial, mas depois veio faculdade e concurso e acabei lendo muita coisa por obrigação. Hoje valorizo muito a sensação de chegar na livraria e escolher o livro por pura curiosidade, sem ter que resumir ou fazer fichamento porque serei cobrado. Claro que esse período não durará muito, pois em pouco tempo novos cursos virão e terei de me debruçar em leituras obrigatórias. Por isso, quis aproveitar essa boa fase em 2012 para ler autores novos e temas que nada têm a ver com o trabalho.
    Acredito que essa sensação é compartilhada por muitos colegas do Itamaraty, por isso pedi pra quem encontrei online no Fb que me indicassem seus destaques de 2012. Com cada um morando em um canto do mundo e com interesses diversos, o resultado pode ajudar quem quer ler coisa nova.  Não foram poucas as vezes que conversei com colegas que aumentaram muito sua carga de leitura no exterior, até pela escassez de opção de lazer em alguns lugares. Parafraseando novamente Mario Quintana: "O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado". Quem mora em lugares sem muitas livrarias sabe a felicidade que é ver o pacote da Amazon na porta de casa!
Agradeço desde já a colaboração de cada um pro blog! Vamos lá para lista, com nome e lugar em que mora hoje em dia. Tem gente que indicou mais de um livro e, como o importante é passar informação, aí estão todos:

Rodrigo Papa (Brasília)
  • "Travessuras da Menina Má",  Mario Vargas Llosa
  • "Rio das Flores", Miguel Sousa Tavares
Marcela (Japão)
  • "1Q84", Haruki Murakami
Sarah (Brasília)
  • "Maus", Art Spiegelman
 Paulo Thiago (Brasília)
  • "Teoria Geral do Esquecimento",  José Eduardo Agualusa
Igor (Brasília)
  • "Desde que o Samba é Samba", Paulo Lins
  • "A Confissão da Leoa",  Mia Couto
Fabiano (Argentina)
  • "A Short History of Byzantium", John Julius Norwich
Diego Kullmann (Paraguai)
  • "Relampagos", de Ferreira Gullar
  • "Tractatus Logico-Philosophicus", Wittgenstein, (edição de 1968, com tradução e apresentação (excelente!) de José Arthur Giannotti.) *nota do Diego
  • "Bim Bom- A contradição sem conflitos de João Gilberto", Walter Garcia
 Edson (Angola)
  • "Naturaleza, Historia, Dios", Xavier Zubiri.
Luiz Gustavo Bacharel (Brasília)
  • "Apologia de Sócrates" e "O Banquete",  Platão
  • "Quintal de Memórias", Tufy Habib
 Fabiana (Brasília)
  • "A Queda dos Gigantes" , Ken Follet
  • "O Inverno do Mundo", Ken Follet
Helder (Brasília)
  • "The Inner Game of Tennis", W Thimothy Gallway
Daniel (Haiti)
  • "Travesty in Haiti", Timothy Schwarz
  • "Os Crimes de Napoleão", Claude Ribbe
  • "A Ilha sob o Mar", Isabel Allende
Vicente (Brasília)
  • "Proud to be a Mammal",  Czeslaw Milosz
Joaquim (Peru)
  • "The Passage",  Justin Cronin
 Miguel (Holanda)
  •  "Le Monde d'Hier",  Stefan Zweig
  • "El Sentimiento Trágico de la Vida", Miguel de Unamuno
Daniella (Azerbaijão)
  • "The Shock Doctrine - The Rise of Disaster Capitalism", Naomi Klein
Ramiro (Irã)
  • "Jerusalem: a Biography", Simon Sebag Montefiore
Paulo Augusto (Brasília)
  • "On China", Henry Kissinger.
Caio (Kwaite)
  • "Pornopopeia", Reinaldo Moraes
  • "O Império é Você", Javier Moro
Rafael Paulino (Tailândia)
  • "Chabadabadá",  Xico Sá
Irineu (Uruguai)
  • "Viajes y otros viajes", Antonio Tabucchi.  
Maria Luiza (Brasília)
  • "HABIBI", Craig Thompson
  • "Persépolis", Marjane Satrapi
Paulo Henrique (Namíbia)
  • "The Kaiser's Holocaust", David Olusoga
  • "My Father's Country: Story of a German Family", Wibke Bruhns
Alex (Síria)
  • "A Visit from the Goon Squad", Jennifer Egan
  • " The Hunger Games", Suzanne Collins
 Nil (Brasília) 
  •  "O Triunfo do Fracasso", Rüdiger Bilden
  • " O Amigo Esquecido de Gilberto Freyre Freyre", Maria Lúcia Garcia Pallares-burke 
Filipe Abbott ( Brasília)
  • "Arte da Política",  Fernando Henrique Cardoso 
André (Eslovênia)
  • "After Dark",  Haruki Murakami
Juliana (Quênia)
  • "Orlando", Virginia Woolf
Ezequiel (Brasília)
  • "10 dias que Abalaram o Mundo", John Reed. 
Marcelo Gameiro (Brasília)
  • "London Triptych", Jonanthan Kemp
  • "Nemesis", Phiip Roth
  •  "Rock Creek Park", Simon Conway
  • "Snowdrops", Andre Miller
  • "The Sense of an Ending", Julian Barnes
  • "Murder at the Windsor Club", Stephen Stanley
 Paulo Cezar, vulgo eu mesmo (Paraguai)
  • "Eu receberia as piores notícias dos seu lindos lábios", Marçal Aquino
 E você? O que indicaria de leitura para 2013?


sexta-feira, 13 de julho de 2012

Tardes de poesia em Itajubá

Às vezes um presente te faz buscar na memória todo o seu passado com relação a um tema. Foi o que ocorreu quando fui buscar um objeto misterioso que o correio paraguaio disse estar a minha espera no depósito central. Tive a surpresa de receber um livro de poesias de autoria de um grande amigo, Pedro Ernesto Cursino, que escondia um poeta dentro da sua mais conhecida faceta de grande jogador de rugby e parceiro de infância! E o presente chegou justo numa fase de redescoberta com o universo poético.
Relatos e Devaneios
Minha relação com a poesia, devo confessar, nunca tinha sido muito boa. Não sei por quê, mas sempre tive um bloqueio desde criança. Talvez tenha sido meu exagerado apego à realidade, que até hoje me impede de ir ao teatro ou ver novela, por não gostar de interpretação. Vai saber...
A relação, que já não era boa, foi por água abaixo quando me deparei com esse poema do Drummond na minha vida:

Legado
Que lembrança darei ao país que me deu
tudo que lembro e sei, tudo quanto senti?
Na noite do sem-fim, breve o tempo esqueceu
minha incerta medalha, e a meu nome se ri.
E mereço esperar mais do que os outros, eu?
Tu não me enganas, mundo, e não te engano a ti.
Esses monstros atuais, não os cativa Orfeu,
a vagar, taciturno, entre o talvez e o se.
Não deixarei de mim nenhum canto radioso,
                                                            uma voz matinal palpitando na bruma
                                                                          e que arranque de alguém seu mais secreto espinho.
                                                                   De tudo quanto foi meu passo caprichoso
                                                            na vida, restará, pois o resto se esfuma,
                                                         uma pedra que havia no meio do caminho.

O problema não foi o poema em si, mas o fato dele ter aparecido na segunda fase do concurso do Itamaraty. Pela primeira vez na história os candidatos teriam que escrever 3 infinitas páginas sobre um poema. Eu simplesmente entrei em desespero e escrevi o que pude, sobre o tema do legado, fingindo não ter visto o poema. Há relatos de gritos no banheiro de pessoas em igual situação, ainda durante a aplicação da prova:
 -  C****, eu sou engenheiro, não entendo de poema! Por que justo no meu ano vai cair um raio de um poema!
 Deu no que deu. Nota de 59,75 quando eram necessários 60/100. Fui salvo apenas duas semanas depois, graças a uma marcação errada no meu texto sobre Graciliano Ramos. Nada como uma prosa para ajudar.
 O trauma poético só começou a passar nos últimos meses, quando comecei a ler a obra de Cassiano Ricardo. Apesar de ter estudado na escola com seu nome e de Cassiano Ricardo dar nome a importantes instituições e ruas da minha cidade, como a charmosa biblioteca municipal de São José dos Campos, nunca o tinha lido até muito recentemente. E comecei a ler mais pelo amor a São José do que pelo amor à poesia, mas acabei gostando:

Biblioteca Cassiano Ricardo

"Era em S. José dos Campos.
E quando caía a ponte
eu passava o Paraíba
numa vagarosa balsa
como se dançasse valsa (...)"

(...)Era em S. José dos Campos.
O horizonte estava perto.
Tudo parecia certo
admiravelmente certo."

Trecho de "A Flauta que me roubaram"




Hoje, vindo pro trabalho, lembrei-me dos encontros de família da minha vó Laura, em Itajubá. Incentivados pelo meu pai, os parentes portugueses se revezam em declamar poesias sobre a terra que deixaram, fazendo jus à veia poética que foi herança do meu bisavô, professor de português em Pouso Alegre. Com paixão pela língua portuguesa, entoavam versos de amor à Portugal, com frases de Camões e Fernando Pessoa. Lembro de minha vó, que ouvia tudo atentamente, sempre dizer ao meu pai, com lágrimas nos olhos:
- Ó Walter, esses versos me dão uma saudade de Portugal.
Foi numa dessa ocasiões que decorei pela primeira vez, ainda criança, uma poesia:
 "Ó mar salgado, quanto do teu sal. São lágrimas de Portugal".
Acho que, além de aprender um verso, nessa ocasião pude entender um pouco desse meu gosto pela melancolia, que pelo jeito herdei do sangue português:
Aos meus olhos de menino, era mais divertido ver a desinibição daquelas tias-avó em frente ao público do que propriamente a poesia declamada. Hoje, queria estar novamente nessas tardes de poesia em Itajubá, para que meu filho pudesse ver como era linda a língua portuguesa declamada pelas poetisas da família.

Pra finalizar, um poema de Floberla Espanca, narrado pela atriz portuguesa Eunice Muñoz, que dá um gostinho de ouvir poesia portuguesa lida com sotaque português. No fim, a poesia musicada por Fagner:



segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

As bibliotecas mais bonitas do mundo

           Este vídeo que fiz acabou de alcançar as duas mil visualizações. Há dois tipos de construções pelas quais eu sou fascinado: bibliotecas e estações de trem. Ao mesmo tempo em que são expressões arquitetônicas que têm o poder de singularizar o local em que estão, têm por função nos levar para longe, seja fisica ou emocionalmente. Essa dualidade entre o local e o distante sempre marcou minha vida.
           Dificilmente conhecerei biblioteca mais bonita que a do Trinity College, em Dublin. Estar lá dentro é algo indescritível. É o Maracanã dos aficcionados por livros. Infelizmente não se pode tirar fotos do local, mas eis aqui uma que retirei da internet:

 Aqui está o meu vídeo. Não soube colocar as legendas, mas no final tem os links de onde tirei as fotos.

Acrescento esta lista de bibliotecas que encontrei na internet. Está faltando o Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro, para mim uma das bibliotrecas mais bonitas do mundo.

http://www.thebestcolleges.org/amazing-libraries/