quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Os hinos do rugby

       A diferença entre um jogo de rugby e um de futebol começa já na hora dos hinos. Aquela imagem clássica dos boleiros fingindo que sabem a letra enquanto cantam com cara de quem peidou na missa é motivo de piada faz tempo. O desleixo dos jogadores e a banalização das convocações para a as seleções de futebol são os ingredientes para essas cenas desagradáveis. O fato de a letra do nosso hino ser difícil não serve de desculpa, basta ver os vídeos da seleção de rugby no youtube. Em São Paulo, há uma lei que obriga todo jogo de futebol a iniciar com o hino nacional. Talvez o legislador quisesse embutir o sentimento de patriotismo nos jogadores, mas o que vemos é um constante desrespeito ao hino, já que os atletas estão mais interessados (com razão) em não esfriar para o jogo. Hino obrigatório em jogo de clubes cheira a Getúlio Vargas.
      Nada melhor do que imagens para mostrar a diferença entre os esportes. Reparem na emoção do Messi ao cantar o hino de seu país e comparem com os jogares de rugby a seguir:



      Uma parte pouco explorada pelo filme Invictus, mas muito bem detalhada no livro Conquistando o Inimigo, de John Carlin, foi a disposição dos jogadores brancos sul-africanos em aprenderem a cantar a parte "negra" do novo hino nacional, o "Nkosi Sikelele". A poucos dias da estréia contra a Austrália, atual campeã, na competição mais importante de suas vidas, os jogadores reservaram parte do seu tempo para as aulas de canto arranjadas pelo organizador do time Morné Du Plessis. Detalhe que a parte a ser aprendida era em xosa, língua que desconheciam. Du Plessis sabia do impacto moral que a canção produziria em seu time e na torcida, reforçando o lema "um time, uma nação".
       Eis as palavras do capitão François Pienaar sobre a emoção do hino na final da Copa: "Não consegui cantar o hino, porque eu sabia que, se fizesse isso, ia desmoronar ali mesmo. Estava tão comovido que tinha vontade de chorar. Sean Fitzpatrick (capitão dos All Blacks) depois me contou que olhou para cima e viu uma lágrima rolar no meu rosto. Mas isso foi nada comparado ao que eu estava sentindo. Foi um momento de muito orgulho na minha vida, eu estava lá de pé e o estádio inteiro reverberava. Foi demais. Tentei localizar minha noiva, me concentrar nela, mas não consegui encontrá-la. Então fiquei mordendo o lábio. Mordi tão forte que senti o sangue descer pela garganta". Lendo essas palavras fica difícil imaginar que seria possível a África do Sul perder esse jogo tão importante. Depois de conhecer o papel que o rugby teve na construção de uma nova identidade para a África do Sul não dá para ficar indiferente a este vídeo:



      Há dois hinos entre as seleções de rugby que, apesar de não terem a beleza e emoção dos hinos francês e italiano, são os meus preferidos, pela bagagem histórica que carregam em seus versos. Trata-se do Ireland's Call e do Flower of Scotland, adotadas pioneiramente pelos selecionados locais de rugby.
Bandeira utilizada pela Federação Irlandesa de Rugby
   Segundo o Wikipedia, o Ireland's Call foi escrito por Phill Couter, em 1995, a partir de um pedido da Federação Irlandesa de Rugby, que agrupa na mesma equipe jogadores da República da Irlanda e da Irlanda do Norte. Como diplomata não posso dar minha opinião sobre essa divisão da ilha, mas como jogador de rugby acho que o time da Irlanda é muito melhor unido do que separado. O fato é que quando joga em Dublin, a Irlanda canta dois hinos, o seu tradicional Amhrán na bhFiann e também o Ireland's Call. Nos jogos no exterior, canta-se exclusivamente o Ireland"s Call, para evitar sensibilidades. Acho a letra bem representativa do espírito de se juntar as 4 províncias irlandesas no mesmo time:

Come the day and come the hour
Come the power and the glory
We have come to answer
Our Country's call
From the four proud provinces of Ireland

Refrão:

Ireland, Ireland
Together standing tall
Shoulder to shoulder
We'll answer Ireland's call

From the mighty Glens of Antrim
From the rugged hills of Galway
From the walls of Limerick
And Dublin Bay
From the four proud provinces of

Refrão

Hearts of steel
And heads unbowing
Vowing never to be broken
We will fight, until
We can fight no more
From the four proud provinces of Ireland

Refrão


     Já a Escócia, por pertencer ao Reino Unido, não tem hino oficial, mas a seleção de rugby adotou o Flower of Scotland antes das partidas. De fato, seria estranho ver Inglaterra e Escócia cantarem juntas o God Save the Queen antes de um jogo com tanta rivalidade.
     Escrita em 1965, Flower of Scotland faz referência à vitória dos escoceses sobre os ingleses na batalha de Bannockburn, em 1314, quando o exército de Robert de Bruce derrotou as tropas de Eduardo II. A primeira vez que foi cantada foi justamente num jogo decisivo entre Escócia e Inglaterra no 5 nações de 1990. (Viva o Wikipedia!) Para quem gosta de Coração Valente como eu, a música é de arrepiar. Eis a letra da música que hoje é conhecida como o hino não oficial escocês:


O Flower of Scotland,
When will we see your like again
That fought and died for
Your wee bit hill and glen.
And stood against him,
Proud Edward's army,
And sent him homeward
To think again.

 The hills are bare now,
And autumn leaves lie thick and still
O'er land that is lost now,
Which those so dearly held
That stood against him,
Proud Edward's army
And sent him homeward
To think again.

 Those days are past now
And in the past they must remain
But we can still rise now
And be the nation again!
That stood against him
Proud Edward's army
And sent him homeward
To think again.

O Flower of Scotland,
When will we see your like again
That fought and died for
Your wee bit hill and glen.
And stood against him,
Proud Edward's army,
And sent him homeward
To think again.


   Aqui estão os vídeos para acompanhar:

Irlanda

Escócia
      
Itália

França

Brasil


Para quem quiser saber mais sobre as implicações políticas do rugby na Irlanda, compartilho esse artigo da Economist:
http://www.economist.com/blogs/gametheory/2012/03/rugby-ireland

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Visita às cervejarias Guinness em Dublin e Carlsberg em Copenhague

        O gosto por visitar fábricas nasceu quando era pequeno, quando fui com a escola em uma excursão para fábrica da Nestlé em Caçapava. Todo joseense já fez essa visita pelo menos uma vez na vida. É muito legal ver todo aquele maquinário trabalhando e no final poder experimentar o produto acabado. 
        A visita à Guinness aparece como obrigatória em todo guia turístico sobre a Irlanda. A Guinness já é mais que uma cervejaria hoje em dia. Sua marca é sinônimo de Irlanda, pub, livro dos recordes e, claro, rugby. Lembro de quando experimentei pela primeira vez a cerveja no pub irlandês O'Malley's, em São Paulo, justamente na confraternização do rugby da FFLCH. Nós que estamos acostumados a cervejas mais leves para o calor temos a tendência de não gostar no primeiro gole, mas logo entendemos o motivo pelo qual é considerada uma das melhores cervejas do mundo. Como é difícil encontrar o chopp Guinnes no Brasil, é bom não perder a oportunidade de beber na Irlanda. Quando fui pra lá, o projeto era beber uma Guinness por dia. Como todas que você pede vêm num "pint" com 568ml, beber mais que uma é arriscar ficar bêbado e depois não encontrar banheiros públicos durante os passeios turísticos.
        Para chegar à cervejaria é preciso pegar um ônibus no centro e depois caminhar um pouco. O bom é que já dá para ir tirando fotos dos famosos portões da St. James's Gate Brewery, como é conhecida a fábrica da Guinness. O bairro é bem industrial e tem aquele cinza da Irlanda bem presente. Legal de passar por ali é poder ver os caminhões cheios de barris de cerveja deixando a fábrica. A entrada não é gratuita, lembro de ter pago uns 13 euros, mas dá direito a um pint de Guinness no final da visita. Para minha decepção e da maioria dos turistas, a visita não é bem à fábrica, mas ao museu da Guinness. Não se vê uma só cerveja sendo produzida. Durante o passeio, você conhece todo o processo de produção, mas só teoricamente. Grande parte do acervo é feito de memorabilia da cerveja: pôsters, peças publicitárias, garrafas antigas, objetos decorativos e coisas do gênero. Isso tudo é muito legal, mas cansa rápido. O ideal é não se alongar muito para poder aproveitar os dois pontos altos do passeio: a loja e o bar. A loja é uma coleção imensa de produtos Guinness, desde chaveiro até roupas, tacos de golfe, imã de geladeira, latas de cerveja, camisas de rugby, etc..É bom ir com tempo para poder olhar tudo. Sempre há dúvida se vale a pena pagar para fazer propaganda da cerveja, mas eles têm utensílios bem legais.

 
 A melhor parte da visita é, sem dúvida, o bar, onde se pode tomar uma Guinness direto da fonte. Não sei se é porque vem direto da fábrica ou se todo aquele mundo de propaganda me influenciou, mas foi certamente o melhor copo de cerveja que já tomei. A minha cara na foto não me deixa mentir. Como cada um só tem direito a um pint, a dica é levar uma namorada que não gosta de cerveja, como eu fiz. Outro atrativo do bar é que ele fica num dos pontos mais altos da cidade e por isso tem uma ótima vista para Dublin e para toda a fábrica da cerveja.

Vista do bar da Guinness
        Apesar da decepção de não poder ver a cerveja sendo feita, achei que valeu muito a pena a visita. Beber a Guinness direto da fábrica foi sensacional. Se você não sabe se compensa gastar seu precioso tempo visitando uma cervejaria, talvez queira saber que em 2011 a Guinness foi visitada por Barak Obama e pela Rainha da Inglaterra.

Obama na Guinness

Barris de mentira no museu

Projeto uma Guinness por dia em Belfast

A Guinness do dia no Temple Bar de Dublin

A Guinness do dia no Crown Bar Liquor Saloon de Belfast

    Depois da experiência da Guinness ficamos em dúvida se valia a pena fazer a visita à cervejaria Carlsberg, quando fomos para Copenhague. Buscando referências no Google, deu pra ver que o pessoal tinha a mesma reclamação quanto à Guinness. O museu não passa de uma coleção de artigos da Carlsberg, por meio dos quais é contada a historia da cervejaria.  Apesar de ficar no mesmo lugar que a fábrica, novamente não vimos nenhuma cerveja ser produzida. Aliás, encontrar a entrada do museu no meio da fábrica não foi nada fácil. Parece que receber visitas não é muito a preocupação da cervejaria.
      O acesso também não é gratuito, mas dá direito a dois copões de cerveja, podendo escolher entre 4 tipos diferentes de Carlsber ou Tuborg. Como a bebida é cara na Dinamarca, até que a entrada do museu virou um bom negócio.
Pátio da cervejaria, de onde partem as carroças com cerveja.
     A historia da Carlsberg é bem legal. Nascida como uma empresa familiar, ela tornou-se uma das maiores cervejarias do mundo. Interessante que no começo ela usava como símbolo a suástica, mas teve que abandoná-la depois que Hitler a usou com outro significado. Até hoje o símbolo está presente na cervejaria, como se pode ver no portão dos elefantes da fábrica.
       No museu encontra-se a maior coleção de garrafas de cerveja do mundo. É realmente impressionante a quantidade e diversidade de cervejas. Outra parte interessante da visita são os cavalos da raça Jutland, utilizados historicamente pela Carlsberg como animais de tração para a distribuição das cervejas. Há cocheiras em que se pode alimentar os cavalos e observar a saída de carroças para distribuir cerveja à moda antiga. Depois, vale a pena dar uma andada pela fábrica até encontrar o famoso portão dos elefantes. Há também uma lojinha, em nada comparável à da Guinness. Há artigos interessantes, mas os preços são escandinavos.
        O ponto alto da visita é, claro, a degustação. Novamente a dica é ter uma namorada que não bebe, apesar de que as fichas de cerveja também valem para refrigerante. Do lado de fora fica um barzinho simples, mas bem agradável. Não lembro quais escolhi, mas as três eram muito boas e fizeram valer a visita. Como resolvemos ir à cervejaria ao modo dinamarquês, de bicicleta, a volta ao centro foi um capítulo à parte. Ainda bem que não existe bafômetro ciclístico.
Explicação sobre o significado da suástica.

Antigo modo de destribuição de cerveja.

O incrível portão dos elefantes. Repare na suástica do elefante da esquerda.
Quantidade de garrafas da coleção.
  
      

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

São José, um amor em azul e amarelo

      
       Antes de começar a falar de futebol aqui tenho que admitir que não há nenhuma racionalidade em perder seu humor porque os 11 caras da sua cidade não conseguiram fazer a bola passar mais vezes do que o necessário pelo gol do time adversário. Desde que meu filho nasceu comecei a me importar menos com futebol e mais com o tempo que passo com ele. Tem dado certo em alguma medida. Já não perco meu tempo vendo jogos de outros times considerados importantes. A paixão pelo rugby ofuscou ainda mais o entusiasmo pelo futebol. Este autocontrole zen vai por água abaixo, no entanto, quando as cores azul e amarelo entram em campo. Assim como o Pateta fica transtornado quando entra no carro e se aventura no trânsito, fica difícil me controlar quando passo pelas portas do Martins Pereira para torcer pro São José. Desde bebê fui levado para o estádio pelo meu pai, de quem herdei a paixão pelo São José. Esse tipo de amor não se apaga de um dia pro outro.
        Quando me perguntam pra que time eu torço e digo São José as pessoas têm uma grande dificuldade em me levar a sério. Parece que eu falei que torço pro Marte F.C. Dependendo de quem pergunta, pra encurtar a conversa, acabo dizendo que sou palmeirense. Já fui, mas não ligo mais, apesar de não acreditarem. 
      Meu colega Rezek, apaixonado pelo Uberlândia, um dia perguntou pra minha mulher para quem eu torceria num jogo entre Palmeiras e São José. Ela respondeu erroneamente Palmeiras e o Rezek cochichou no meu ouvido: se fosse minha mulher eu separava.  
       Torcer para um time é fazer parte de um grupo, de uma identidade. Por que torcemos? Se seu time ganha, você se sente ganhador e mais feliz, a sociedade teoricamente o respeita mais, aumenta sua autoestima e você acredita que fará mais sucesso com o sexo oposto (ou não), objetivo único de todas as atividades humanas. Se isso é verdade, então por que torcer para um time cuja única conquista relevante é o vice-campeonato paulista de 1989? Acho que diante das adversidades de ser um time do interior, cada vitória sobre o rival de outra cidade é uma injeção de autoestima. É como se falássemos: "nós, aqui de São José, somos melhores! Temos os melhores genes! Ganhamos até de times maiores". Mas isso é só uma teoria de racionalizar um sentimento difícil de explicar. Vou ao estádio porque é legal, simples assim. Adoro ir na companhia do meu pai, vestir minha camisa velha da sorte (que nem minha mãe nem minha mulher me deixam usar em casa), poder parar o carro na porta, comprar o ingresso na hora, sentir o cheiro dos churrasquinhos de gato, comer pipoca com queijo, xingar o juiz, gritar gol, pedir substituição e ser atendido (em estádio pequeno dá), encontrar meu amigo Biri, conversar com desconhecidos.
         Estes dias estava jogando bola com meu filho na quadra em frente de casa. Observando as crianças vi camisas do Mancheter, Chelsea, Barcelona, Real Madrid e Milan. Havia uma única camisa de time brasileiro, a do Corinthians. Quando separamos os times, um deles escolheu ser o Corinthias e o outro, para minha surpresa, o Barcelona. Como pode, num país pentacampeão do mundo, as crianças escolherem torcer para times de outro continente? Se você liga na ESPN ou SPORTV provavelmente conseguirá saber o resultado e ver os gols de Hull x Bolton, Benfica x Marítimo ou Lecce x Torino. Mas experimente descobrir quanto foi Taubaté x XV de Jaú. Missão quase impossível nos dias atuais. A ESPN agora deu de transmitir o campeonato russo! Assim, vivemos hoje em uma sociedade em que você tem o incrível privilégio de acompanhar ao vivo Lokomotiv x Rubin Kazan mas não consegue saber como foi o gol do time de sua cidade.
         Depois da experiência de ver os meninos todos torcendo "pras Europa", achei que estava mais do que na hora de levar o meu para ver o jogo do São José. E lá fomos nós. Nesses momentos é que você vê aquele comercial de margarina sobre paternidade tornar-se realidade diante dos seus olhos. Levar meu filho ao estádio foi voltar ao passado e lembrar das inúmeras vezes em que fui carregado pelo meu pai. Deu pra ver os olhinhos dele brilhando na primeira vez que viu um estádio cheio. Era São José x Guarani, para um público de mais de 5 mil pessoas. Gotas de água salgada da mais viril masculinidade escorreram do meu rosto ao vê-lo gritando São José. Era a paixão por um time sendo transmitida à terceira geração.
          Assim como sempre acontece com seu padrinho, meu filho logo foi atraído pela baixa-grastronomia no estádio. Pipoca, picolé, amendoim, cachorro quente e coca-cola gelada! Aliás, o Barcelona pode até ter o Messi, mas não tem um picolé de limão tão bacana como esse aí do lado.
     Devo confessar que o jogo não foi tão divertido pra ele. Acostumado com o Playstation, em que os jogos acabam no mínimo 10x8, deu pra ver que ele achou o 0x0 do primeiro tempo entediante. No intervalo, me disse: Papai, queria que o Pelé jogasse no São José, porque daí eu poderia ver uns gols.
       No primeiro tempo o time foi realmente mal, o que gerou a segunda frase do dia:
           - Papai, o moço ali atrás falou "Vai tomar no C*"!
       -Eu ouvi filho, mas se você repetir isso em casa eu to ferrado.         
        No segundo tempo o time rendeu mais e fez dois gols, para nossa alegria! A Águia do Vale ganhou não só os três pontos, mas também um novo torcedor! Quando chegamos em casa minha mãe disse: "Xii, mais um pra ir feliz ao estádio no domingo ver o São José e voltar cabisbaixo depois do jogo"!
          Já são 12 anos na segunda divisão do Paulista, espero que este ano possamos gritar é campeão.
         Se você ainda não é pai e quer saber qual é a emoção de levar seu filho ao estádio pela primeira vez, este vídeo é um belo exemplo:




quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Música sertaneja: assim você me mata

           O que é uma música boa? Aquela que tem um ritmo bom? Aquela que tem uma letra de qualidade? Ou aquela que faz o pessoal dançar? Apesar de não entender muito de música, fico sempre querendo saber o que faz uma canção ter mais aceitação do que outra. Por que o rock é capaz de levar tanta gente ao Rock in Rio, em um país que tem ritmos tão diferentes do norteamericano? Sempre me questiono se o rock obteve um grau de excelência tão alto que o faz ter uma aceitação internacional ou se é simplesmente mais um produto da cultura americana que soube se vender pelo mundo, como o McDonald's e os filmes hollywoodianos. Comer um BigMac, por mais gostoso que seja, não é a mesma coisa que comer outro sanduíche. Há todo um conjunto de valores por trás da simples compra de um alimento. Creio que o mesmo se passa com a música.
           Se o segredo do sucesso de uma música fosse só a letra, como explicar a fama desta música dos Beatles?

You say "Yes", I say "No".
You say "Stop" and I say "Go, go, go".
Oh no.
You say "Goodbye" and I say "Hello, hello, hello".
I don't know why you say "Goodbye", I say "Hello, hello, hello".
I don't know why you say goodbye, I say hello.
I say "High", you say "Low".
You say "Why?" And I say "I don't know".

          Se fosse só o ritmo, por que quase ninguém compra CDs instrumentais?
          Falar de gosto musical no Brasil é algo tão sensível quanto falar de política ou religião.

       Recentemente, temos visto a ira de internautas contra o sucesso mundo a fora da música "Ai se eu te pego" do Michel Teló. Dizem até que a música é um prelúdio do final dos tempos em 2012. Será que é pra tanto?
       Acontece que há um grupo que realmente acha que o tipo de música que você ouve o torna mais ou menos inteligente. Se você ouve Janis Joplin, UAU!, você é inteligente. Se você ouve Vieira e Vieirinha, você não passa de um caipira burro. Acreditar que a inteligência entra pelos ouvidos com a música não faz meu tipo. Aliás, assim como meu sogro, acredito que o conhecimento entra pela bunda, pois quanto mais tempo com a bunda na cadeira estudando, daí sim mais inteligente você fica. Entender de música clássica, jazz e outros ritmos pode torná-lo aquilo que a sociedade considera como culto, mas não inteligente.
      Todo mundo tem um momento de ouvir algo mais sério, mais bem elaborado. Mas a vida de alguém que nunca pôs uma música bem brega no último volume para dançar e cantar em casa deve ser bem chata.
      O que mais me impressiona na revolta contra o Michel Teló é que a raiva parte de pessoas que consomem o mesmo "naipe" de música sem nenhuma crítica quando esta vem em inglês, francês, espanhol ou italiano. O que as rádios brasileiras tocam sem o menor filtro é impressionante. No livro "A Música Caipira" do jornalista do Globo Rural, José Hamilton Ribeiro, tem uma frase interessante: " Um povo conquista o outro pela música, pelas artes. Pode, para isso, usar exércitos, tanques e canhões, poder econômico e pressão política e psicológica, mas tudo isso como ferramenta. Seu objetivo último é conquistar corações e mentes, e isso se dá quando o povo colonizado despreza sesus próprios valores culturais por ter assumido o padrão do colonizador". Era exatamente assim que agiam os jesuítas quando chegaram na América do Sul. É também, pelo que me lembro das aulas da FFLCH, o que Gramsci dizia sobre o sonho de toda potência hegemônica, que é fazer o colonizado imaginar que o melhor para si é o que está dizendo o colonizador.
       Agora que estamos crescendo como país e começamos a exportar nossa cultura mais popular estamos sendo criticados por nós mesmos. O Michel Teló é exemplo do Soft Power brasileiro. Os gringos podem não entender uma palavra da música, mas gostam dela pelo ritmo, pela alegria e, sem dúvida alguma, porque é do Brasil.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Rugby: um esporte de caipira?


A frase “os caipira é foda” já se tornou um clássico do São José Rugby. No dia em que o time se tornou heptacampeão brasileiro de rugby eu estava coincidentemente lendo um livro chamado Soccernomics, dos ingleses Simon Kuper e Stefab Szymanski. O livro é muito ruim, infelizmente, pois sou fã da série Freakonomics, mas tem uma teoria interessante: os times europeus de futebol do interior são mais bem sucedidos que os das capitais.
Com dados do Barcelona, Manchester United, Bayern de Munique, Milan e Lyon, os autores mostram como os torneios europeus foram dominados por times provincianos. O porquê disso? Segundo os autores, as cidades do interior têm muito mais a provar do que as capitais. As capitais já teriam motivos suficientes para se orgulharem e o título no futebol não é a grande preocupação da população. Os autores chamam a atenção para o fato de que as torcidas do interior cantam músicas sobre suas cidades, o que dificilmente você verá em algum time de Londres ou Paris. Mas o que isso tem a ver com o rugby? A frase “os caipira é foda” pode ser um bom indicativo de que no rugby a teoria dos times do interior também se aplica.
Fui pesquisar se no rugby os times do interior se saíram bem em 2011 e pude chegar a estes dados sobre os campeões:

- Heineken Cup: Leinster (Dublin, 525 mil habitantes)

- Super 15: Queenslan Reds (Brisbane, 2 milhões de habitantes)

- Liga Celta: Munster (Limerick, 90 mil habitantes)

- Campeonato francês: Toulouse, (Toulouse, 439 mil habitantes)

- Campeonato inglês: Saracens, (Watford, 120 mil habitantes)

- Campeonato italiano: Benetton Treviso, (Treviso, 82 mil habitantes)

- Campeonato argentino: Duendes (Rosário, 1 milhão de habitantes)

- Campeonato sul-africano: Pampas XV (combinado argentino)

- Campeonato neozelandês: Canterbury (Time da região de Canterbury, 560 mil habitantes)

- Campeonato brasileiro: São José Rugby (São José dos Campos, 636 mil habitantes)

A única exceção à extensa lista é o Leinster, apesar de eu achar que Dublin, se comparada às outras capitais européias, não é bem o que chamamos de metrópole e os irlandeses tem muito a provar para seus vizinhos ingleses. De qualquer forma, o principal ganhador da Heineken Cup é Toulouse, time mais bem sucedido da Europa com 4 títulos.
Mas será que o fato de ser do interior realmente exerce alguma influência no jogo? Os autores dos Soccernomics dizem que sim. Apesar de eles não considerarem o fato de que, via de regra, há sempre mais times do interior do que da capital em um campeonato, o que aumenta a probabilidade de o vencedor vir do interior, há algo que se possa aproveitar desta teoria.
Diferentemente do futebol americano*, cuja ênfase é colocada na conquista de novos espaços – conforme o histórico destino dos Estados Unidos de avanço sobre novas terras- tenho pra mim que o rugby é praticamente um jogo de defesa de território. É claro que se há alguém defendendo é porque há alguém atacando, mas o meu sentimento é de que a defesa é mais importante do que o ataque no rugby. Pergunte a alguém qual é o movimento fundamental do rugby e tenho certeza que muitos dirão o “tackle” e não o “passe” ou o “drible”. 
Em se tratando de defender suas terras, as pequenas cidades da Europa têm um Know-how invejável. E o que dizer então da luta dos povos aborígenes da Oceania ou mesmo da Irlanda, Escócia e África do Sul contra o domínio de suas terras pelos ingleses? Quando falamos em Copa do Mundo de Rugby, são 6 títulos para as colônias e 1 para a metrópole. Em um de seus Hakas, o "Kapa o Pango", a seleção da Nova Zelândia grita aos seus adversários: “Essa é minha terra, que vibra” / “Nosso domínio, nossa supremacia triunfará”:

Na França, a rivalidade entre interior e capital ganhou destaque em 2008 quando o Stade Français, de Paris, lançou a provocativa camisa abaixo, estampando a Rainha Branca de Castela, responsável por anexar a região occitana ao domínio parisiense. Vale lembrar que grandes times franceses do interior, como o Toulouse, vêm dessa região. Imagino como deve ter sido jogar de visitante com essa camisa...
Não podemos ser simplistas de achar que só porque é do interior o time tem mais chance de vencer. No entanto, o orgulho interiorano e a vontade de triunfar sobre os "primos ricos" podem, sim, exercer alguma influência sobre os treinamentos e a preparação. Creio que defender a cidade pese muito mais na atitude do atleta do que defender um clube e em nenhum outro esporte o sentindo de orgulho e coletividade está tão presente quanto no rugby.

AQUI NÃO!!!

*o atual campeão da NFL é o Green Bay Packers (Green Bay, 100 mil habitantes)

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Muita cachaça -Paraisópolis e Taubaté

       Duas fotos de lojas que tive o prazer de conhecer e que mais parecem uma biblioteca de cachaças.
       A primeira fica em um posto de gasolina de Paraisópolis, sul de Minas, e a segunda em Taubaté-SP, no mercado municipal. Dureza foi escolher qual levar.




quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Manifesto contra a frescurização da cachaça

        Se tem algo que quem não é do mundo do vinho detesta é a frescura com que os supostos entendidos  escolhem suas bebidas. Quer tirar minha paciência é alguém atrasar todo o pedido de comida na mesa do restaurante porque está sabatinando o garçom sobre a melhor safra dos vinhos disponíveis na carta de vinho. E o que falar da patética cena da degustação e aprovação perante o garçom? Estes dias vi um cara na mesa ao lado devolver o vinho porque achou sinais de desgaste na rolha, o que supostamente interferiu no sabor do vinho. Se eu fosse o garçom desgastaria a cara dele, mas deixa pra lá.
           Outra chatice são esses sabores que só os enófilos sentem. Notas de baunilha, bouquet de carvalho, aveludado, amêndoas, banana, etc.. Para mim isso tudo tem aroma de abobrinha. O máximo que sinto são notas de cortiça quando deixo a rolha cair dentro da garrafa. Como caipira, tenho sempre duas opiniões sobre os vinhos: é bom ou é ruim. Queria realmente poder sentir tudo isso em um vinho, deve ser mágico! Os testes cegos são os melhores antídotos contra os enochatos. Eis um aqui um vídeo muito bom:

         Tenho para mim que o vinho ganhou força no Brasil como uma nova fronteira de diferenciação da classe média, que sempre buscou incorporar sinais de sofisticação a todo momento. Decantadores, saca-rolhas mágicos, mini adegas eletrônicas e diferentes tamanhos de copo são parafernálias obrigatórias na casa do casal moderno brasileiro. As pessoas querem se sentir especiais não apenas consumindo um bom vinho (pessoas chatas sempre usam o "bom" na frente de vinho), mas afirmando sentir sensações no paladar que os enólogos garantem que estão naquele determinado vinho. Isso me lembra a fábula "A Nova Roupa do Rei", de Hans Christian Andersen, em que todos diziam enxergar a roupa invisível do rei, que só os inteligentes poderiam ver, para não serem chamadas de burra. Será que alguém um dia gritará no mundo dos vinhos: o Rei está nu?
          Uma das primeiras coisas que minha turma do Rio Branco fez foi se matricular num curso de vinhos. Tudo bem que o vinho sempre estará presente na nossa carreira, mas e a bebida nacional, será que conhecem suficientemente bem?
     O grande mal que a enochatice tem feito é criar um estereótipo que prejudica os verdadeiros apreciadores. Apesar de não entender nada, gosto de vinho, adoro ganhar de presente e tenho muitos amigos que realmente conhecem vinhos e que sabem apreciar as diferentes nuâncias de aroma e sabor, mas que bebem tranquilamente em sua casa ou no restaurante, sem anunciar aos quatro cantos que escolheu aquele vinho porque ele é de tal região ou safra. O mundo do vinho é espetacular e acredito que as pessoas entendidas também devem estar um pouco enfadadas dos enochatos.
       Pois bem, depois de discorrer sobre enochatice e expor meu trauma com vinhos (sempre que devolvo a carta de vinhos recebo um olhar de "humpf, moleque" do garçom ao pedir coca-cola), vamos falar do que interessa: cachaça.
        Geralmente, quando se conversa de cachaça os principais adjetivos utilizados resumem-se a: boa/ruim, amarela/branca e forte/fraca. Às vezes escapa um "macia" aqui, um " braba" acolá, mas nada muito além disso, pois caipira não é de ficar descrevendo muito as coisas não. Acontece que isso tem mudado, infelizmente (pelo menos para mim). Estamos sendo contaminados pela enochatice. Fui ler o Ranking Playboy da Cachaça de 2011, que é hoje a principal lista sobre a bebida no país, e eis as descrições que encontrei para algumas delas:
- "a viscosidade e as notas de baunilha e caramelo agradam"
- "licorosa, com um amargor confortável"
- "tostada, complexa, tem algo de amêndoa"
- "o resultado é algo herbáceo, com predominância de anis e eucalipto"
- "sabor de banana verde, o aroma de Sândalo e o paladar pontual"
- "baunilha, couro, amêndoa caramelada"
- "tem sândalo no aroma e sabor picante"
- "textura licorosa, aroma forte e doce, sabores de caramelo, rapadura e especiarias".
- "doce, leve e com notas de banana verde"
- "doce, amanteigada, licorosa"

        Acho que se eu fosse produtor de cachaça e fizesse meu produto com todo esmero iria ficar muito chateado se alguém falasse que ele tem gosto de banana verde ou rapadura.Vamos imaginar que você cuidou da sua lavoura de cana, do processo de fermentação, da destilação, comprou os melhores barris, contratou técnicos, fez uma garrafa com bela apresentação e conseguiu figurar no ranking das melhores cachaças do Brasil, daí vem um "conhecedor" e diz que ela lembra...Couro!?!?!? Couro????
       Não sei por que as pessoas insistem em achar que beber é brincar de procurar sabor exótico. A própria Playboy não deixou barato e na apresentação da degustadora Bel Coelho, dona das frases, disse que ela tem um paladar e olfato sobre-humanos. Pois é...
          O outro degustador que colaborou com a revista foi Leandro Batista. Esse sim vale a pena conhecer. Seus vídeos no site Mapa da Cachaça são uma aula obrigatória para quem quer conhecer mais sobre o assunto. Para mim, a melhor descrição de cachaça feita nesta edição do ranking foi do Marcelo Tas, sobre a Cachaça MatoDentro: tem "sabor de infância". Simples, mas diz muito.
     


Comprando vinho x comprando cachaça

         Numa mesma semana passei por duas experiências diferentes ao comprar um vinho e uma cachaça.
         Como era aniversário de um grande amigo, resolvemos presenteá-lo com um bom vinho (essa expressão bom vinho é insuportável e inevitável), que hoje em dia ocupa o lugar outrora do CD no rol dos presentes sem muita criatividade. Fomos a uma adega no shopping Iguatemy de Brasília e eu já estava escolhendo algum vinho pelo meu método do rótulo bonitinho quando minha mulher resolveu pedir dicas ao vendedor, que falava mais que a boca. Daí ele começou com a tradicional chatice dos enólogos, nos mostrando um vinho nada a ver:
          - Esse vinho é mais incorpado, ideal para pessoas com mais personalidade. Tem sido uma nova tendência de vendas aqui na adega. Desde pessoas sofisticadas aos mais tradicionais desgustadores estão escolhendo este vinho porque ele possui uma ótima harmonização.
          - E de onde é? (pergunta feita porque tenho curiosidade de saber de onde são todos os produtos que compro)
          - É de uma região do sul da França, em que a terra tem qualidades especiais, por ser plantado em solo antigo de videiras tradicionais. O seu amigo prefere que tipo de uva? Porque se for uva Chardonnay, aconselho a levar este aqui, que tem notas de carvalho, com suave gosto de amendôas e banana. O final é potente e aveludado, demonstrando a personalidade do vinho. Se você optar pelo Merlot, te ofereço opções mais contemporâneas de produção, cujo o buquê é incrível.
          O bla bla bla eno-chato seguiu por uns  minutos..
          - Não, eu quero aquele ali. Arlequin.
          - Ótima escolha, você conhece este vinho?
          - Na verdade não, mas o rótulo e o nome são iguais aos de uma camisa de rugby que um dia ele me deu, dos Harlequins de Londres.
          - Ah (cara de decepção). Mas então vou embrulhar nessa embalagem especial para o senhor, que acompanha nossa carta de vinhos mais atual.
          Apesar de ter sido escolhido assim, o vinho revelou-se um ótimo presente. O fato de ter feito referência à camisa de rugby tirou a impessoalidade de dar-se um vinho. Aliás, ainda recebemos elogios pelo vinho, que desconfiei ser bom pelo preço...
          No fim de semana fui ao Mercado Municipal de Belo Horizonte comprar cachaça. Depois de comprar a Lua Cheia, que estava procurando, resolvi perguntar de outra que estava ali. O diálogo inteiro foi o seguinte:
          - E aquela ali?
          - É boa.
          - De onde é?
          -Minas. Toma um golinho.
          -Boa mesmo.
          -Vou embrulhar no jornal pra você.
    
         Agora em Assunção, sempre que possível, tenho presentado as pessoas com cachaça e a estratégia parace estar dando certo!


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

As árvores de Assunção

               Assim como minha mudança de São José até Brasília foi marcada pelos ipês amarelos no caminho, da chegada em Assunção certamente lembrarei pelo ipês rosas. Quando se fala em Assunção, poucos sabem o quanto esta cidade é arborizada. Assunção é denominada aqui como a capital mundial dos lapachos, como são chamados os ipês no país. E não é sem razão, pois a cidade é pontilhada por essas árvores. Chegar aqui com a cidade florida de uma árvore tão típica do Brasil certamente aliviou um pouco o sentimento do exílio.
               Acontece que não é só de ipês que a cidade está cheia. São muitas árvores, de diferentes espécies, que têm atraído minha atenção desde que cheguei. A visão aérea da cidade parece um tapate verde, sem exageros. É claro que a quantidade e o cuidado com as árvores variam de bairro em bairro, mas no geral há mais árvores por rua em Assunção do que em muitas cidades que conheci. E o legal é que misturam frutíferas e de sombra. Há ruas só de limoeiros, que acredito serem fornecedores do suco para o terere; a sombra é fundamental para amenizar o forte calor da cidade e é embaixo desses sombras que os paraguios colocam suas cadeiras para tomar terere, conversar e ver o movimento dos finais de semana.
               Adoro árvores desde pequeno e creio que o lugar delas é na cidade. Legal defender as florestas, os bosques e as matas, mas o homem está nas cidades e a arborização urbana para mim é algo fundamental para a qualidade de vida. Muito defensor das florestas nunca plantou uma árvore no seu bairro.
               O que causa maior curiosidade aqui são as árvores literalmente no meio da rua. Já ouvi que um antigo governante proibia qualquer tipo de corte de árvore e por isso as ruas hoje as contornam. O que em um primeiro momento pode causar espanto ao visitante, para mim é sinal mais profundo de desenvolvimento. Mesmo um eucalipto é mais importante que o fluxo de carros!
                Está na hora de plantarmos mais árvores de verdade nas ruas do Brasil. Ultimamente estamos sofrendo a ditadura das palmeiras-lançamento-imobiliário,que não dão frutos, nem flor e nem sombra.
Um eucalipto no meio da rua
Lapacho Rosado

Lapacho Rosado

Lapacho amarilo

Lapacho amarilo

Palo borracho. Muito bom o nome da paineira.
Um eucalipto enorme no campo de rugby do CURDA



Flamboyant


Limoeiro em frente a Embaixada do Brasil



Flamboyant na rua do Consulado do Brasil

A rua do mercado de flores.



Rua de Assunção

Ciclovia arborizada.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

As bibliotecas mais bonitas do mundo

           Este vídeo que fiz acabou de alcançar as duas mil visualizações. Há dois tipos de construções pelas quais eu sou fascinado: bibliotecas e estações de trem. Ao mesmo tempo em que são expressões arquitetônicas que têm o poder de singularizar o local em que estão, têm por função nos levar para longe, seja fisica ou emocionalmente. Essa dualidade entre o local e o distante sempre marcou minha vida.
           Dificilmente conhecerei biblioteca mais bonita que a do Trinity College, em Dublin. Estar lá dentro é algo indescritível. É o Maracanã dos aficcionados por livros. Infelizmente não se pode tirar fotos do local, mas eis aqui uma que retirei da internet:

 Aqui está o meu vídeo. Não soube colocar as legendas, mas no final tem os links de onde tirei as fotos.

Acrescento esta lista de bibliotecas que encontrei na internet. Está faltando o Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro, para mim uma das bibliotrecas mais bonitas do mundo.

http://www.thebestcolleges.org/amazing-libraries/

domingo, 4 de dezembro de 2011

Cachaças: boas surpresas em 2011


            Neste ano descobri cachaças muito boas, que comprei sem referência prévia, mas que no primeiro gole entraram para a lista das minhas preferidas. Por não serem facilmente encontradas em todos os cantos do Brasil são ainda mais especiais. Como bebo pouco e consumo mais na companhia de amigos, o fato dessas cachaças terem acabado rapidamente é um bom indício de sua qualidade e aceitação.
           
Cachaça Mucambo
            Comprei essa cachaça em um posto de gasolina em Goianinha-RN, enquanto voltava de São José de Mipibu pra Natal, na casa do meu grande amigo e parceiro de degustação Pipo Abbott. Depois descobri que a cachaça, irmã das mais conhecida Maria Boa, é produzida ali mesmo, em Goianinha, centro tradicional de produção de cachaças no Rio Grande do Norte. Envelhecida em barris de amburama, a Mucambo tem uma ótima apresentação, com rótulo moderno e simples. Sua coloração é bem amarelada e, além de ser gostosa de tomar, a Mucambo tem um aroma único, que nunca encontrei em outra cachaça. Tudo bem que compramos cachaças pra beber, mas para quem gosta de experiências multisensoriais ao beber um dose (modo "enólogo babaca" ligado) vale a pena experimentar. Infelizmente comprei apenas uma garrafa de 300 ml e agora espero um nova viagem pra Natal para reintegrá-la à coleção.
Aqui está o site da cachaça: http://www.cachacasdegoianinha.com.br/

Cachaça Dedo de Prosa
              Essa foi sem dúvida a maior surpresa em 2011. Ganhei de presente do meu pai, que a comprou em Itajubá-MG. Produzida em Piranguinho, no sul de Minas, a versão envelhecida em caravalho foi o maior sucesso etílico entre as visitas lá em casa. Durante um churrasco, o pai de um amigo a pediu encarecidamente de presente! Quando acabou a de carvalho, comprei a envelhecida em Louro Canela, que também é espetacular. Me chamou a atenção o fato de ter agradado muito ao público feminino também, algo não muito fácil para as cachaças.
              Para se ter uma idéia da seriedade com que é feita, vale a pena dar uma olhada no site: http://www.cachacadedodeprosa.com.br/

Cachaça Áurea Custódio
               Fui a Belo Horizonte para o St. Patrick`s Day do BH Rugby e, como não poderia deixar de ser, passei no Mercado Municipal para comer pastel e comprar cachaça. Estava pesquisando o preço dos barris em uma das lojas quando entrou um cliente e perguntou ao dono sobre a Áurea Custódio. Apesar de depois ter descoberto que a cachaça já ganhou prêmios, ela era então desconhecida para mim. O vendedor disse que havia sim e que custava R$57,00! Ao ouvir o preço, como bom filho de mineiros, pensei logo se tratar de combinação entre o visitante e vendedor. No entanto, a convicção dos dois era tanta sobre a qualidade da cachaça, envelhecida por 3 anos em carvalho, que não resisti e levei. Apesar do preço, que descobri ser este mesmo, a Áurea Custódio, de Ribeirão das Neves-MG, valeu a pena. Foi dessas cachaças que pude oferecer sem medo, pois agradou a todos. Deixou saudade na coleção.

Cachaça Orgulho Mineiro
              Essa foi outra das contribuições dos meus pais em suas viagens pelo sul de Minas. Produzida em Borda da Mata-MG, a Orgulho Mineiro chama a atenção pela garrafa envolta em cortiça e pelo copo em formato de barril que a acompanha. Ela exala um odor muito agradável, daqueles que avisam: vem cachaça pela frente! Estive conversando com um amigo do meu pai sobre pingas quando ele a recomendou, atestando o que eu já havia achado sobre a pinga.