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terça-feira, 12 de março de 2013

Músicas sobre caipiras



O nome deste blog vem da palavra tupi ka'apir, ou cortador de mato, que deu origem ao termo caipira, nome dado aos habitantes do interior do estado de São Paulo. Com o tempo, o termo se espalhou e passou a denominar todo aquele que vem do interior. Como gosto muito das músicas que narram a vida do homem do campo, resolvi, então, listar aqui minhas músicas preferidas sobre o universo caipira.

8- Jeito Caipira- Gino e Geno

Gino e Geno são conhecidos pela irreverência. Nessa música, deixam claros os itens essenciais numa esposa para conquistar um caipira. Só de citar frago com quiabo na letra já merecia estar aqui na lista.

Mulher pra me ganhar, ela tem que gostar do meu jeito caipira
Não mexer na muringa onde eu guardo minha pinga com sucupira
Quando eu chegar do mato, catar carrapato em meu corpo cansado
Não fazer enjoeiro quando sentir cheiro de bosta de gado


7- Caipira - Chitãozinho e Xororó

Orgulho caipira retratado na voz da maior dupla caipira do Brasil.

Sou, sou desse jeito e não mudo
Na roça nós tem de tudo
E a vida não é mentira
Sou, sou livre feito um regato
Eu sou um bicho do mato
Me orgulho de ser caipira



6- Raízes - Renato Teixeira e Pena Branca e Xavantinho

A descrição do ambiente rural feita pelo compositor é linda demais.

Já tem rolinha
Lá no terreiro varrido
E o orvalho brilha
Como pétalas ao sol
Tem uma sombra
Que caminha pras montanhas
Se espelhando feito alma
Por dentro do matagal



5- Saco de estopa- Chico Rey e Paraná.

Um caipira lembra seu passado com a lida de gado por meio dos objetos guardados em um saco de estopa. Música simples, mas carregada de emoção e saudosismo.

Pra mim representa um belo passado
A lida de gado que eu sempre gostei
Assim enfrentado um trabalho duro eu fiz o futuro sem violar a lei,
O saco é relíquia com os seus apetrechos,
Não vendo e nem deixo ninguém por a mão
Nos trancos da vida agüentei intacto e o ouro do saco é a recordação.


4- Franguinho na Panela - Craveiro e Cravinho

A música conta um dia de trabalho duro de um caipira, que apesar das adversidades, não deixa faltar o franguinho na panela pra família.

O recanto onde moro é uma linda passarela
O carijó canta cedo, bem pertinho da janela
Eu levanto quando bate o sininho da capela
E lá vou eu pro roçado, tenho Deus de sentinela
Têm dia que o meu almoço, é um pão com mortadela

Mas lá no meu ranchinho a mulher e os filhinhos
Tem franguinho na panela


3- O Doutor e o Caipira- Goiano e Paranaense

Sem dúvida uma das músicas que retraram melhor a simplicidade e a sabedoria caipira, em uma conversa com um doutor no hospital. 

Todas as vezes que me chamam de caipira
É um carinho que recebo de alguém
É uma prova que a pessoa me admira
E nem calcula o prazer que agente tem


2- Vida Boa - Victor e Léo

Esta é a música mais recente da lista, provando que o sertanjeo não precisa ser de raíz para ser bom.

Moro num lugar
Numa casinha inocente do sertão
De fogo baixo aceso no fogão, fogão à lenha ai ai
Tenho tudo aqui
Umas vaquinha leiteira, um burro bão
Uma baixada ribeira, um violão e umas galinha ai ai


1- Romaria - Renato Teixeira

O maior clássico da música caipira na voz do meu cantor preferido só podia estar em primeiro.

O meu pai foi peão, minha mãe solidão
Meus irmãos perderam-se na vida
Em busca de aventuras
Descasei, joguei, investi, desisti
Se há sorte eu não sei, nunca vi
Me disseram porém que eu viesse aqui
Pra pedir de romaria e prece
Paz nos desaventos
Como eu não sei rezar, só queria mostrar
Meu olhar, meu olhar, meu olhar


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Música caipira made in Paraguay

O Violeiro, de Almeida Junior
"Moda bem tocada é aquela que desperta em nós uma saudade que a gente nem sabe do quê" 
Abaeté Renato Andrade

A frase do violeiro Abaeté Andrade, citada no livro "Música Caipira", do jornalista José Hamilton Ribeiro, explica muito do meu fascínio pelas músicas paraguaias cantadas em guarani.  Apesar de não entender quase nada da letra, elas sempre me despertaram uma saudade, pois me pareceram, desde o princípio, muito similares às músicas caipiras de raiz que desde pequeno ouvia com meu avô.
Apesar de não ser um especialista em música e só saber tocar campainha, me arrisco a dizer que o sucesso do nosso sertanejo pode ter origens em músicas "made in Paraguay".
Segundo o livro de José Hamilton Ribeiro (meu repórter preferido do Globo Rural!), a nossa música caipira tem origens nas tradições dos cancioneiros ibéricos. Foi por meio dos jesuítas que penetrou em nosso território, como forma de catequizar os indígenas. Assim se passou também no Paraguai. Com temática e instrumentos em comum, nos dois territórios o elemento ibérico fundiu-se com a cultura indígena produzindo músicas que acredito serem muito similares.
Além dessa similaridade mais antiga, muitas músicas que acreditamos serem grandes sucessos caipiras do Brasil tiveram sua origem no Paraguai. São traduções de guarânias e polcas, ritmos típicos daqui, que influenciaram vários artistas brasileiros na segunda fase do desenvolvimento da música caipira, pós-Segunda Guerra. O marco da entrada das guarânias na canção popular brasileira foi o disco de Cascatinha e Inhana, na década de 1950, com os sucessos paraguaios "India" e "Meu primeiro amor". Foi o disco caipira de maior vendagem até então, tornando-se grande influência para a geração seguinte. Eis aqui a dupla cantando música caipira "made in Paraguay":




O verbete da wikipedia sobre guarânias traz um tópico sobre as músicas brasileiras cantadas nesse ritmo. Até o clássico "Fio de Cabelo" encontra-se lá:
Para finalizar a seção de guarânias em português, aqui vai minha seleção preferida, cantada por Bruno e Marrone, e a guarânia "Saudade", de autoria do ex-Embaixador brasileiro em Assunção, Mário Palmério:





A música paraguaia mais famosa no Brasil não é uma guarânia, mas sim uma polca paraguaia (na verdade, a guarânia é uma derivação da polca, que é mais acelerada). Estou falando de "Galopeira", primeiro sucesso de Chitãozinho e Xororó, a dupla que levou o sertanejo ao grande público no Brasil. Apesar do sucesso das grandes duplas sertanejas anteriores a eles, creio que Ch & X foram, nos anos 1990, responsáveis pelo surgimento de um público urbano para a música caipira. Abriram caminho para Leandro e Leonardo, Zezé de Camargo e Luciano e todos os outros que vieram e estabeleceram o sertanejo como um dos principais gêneros musicais do país.
Eis o original de Ch & X de Galopeira (nome de uma dançarina típica daqui), de autoria do paraguaio Mauricio Cardoso Ocampo:



Vamos a relação do Wikipedia de polcas paraguaias abrasileiradas:

No último show de Zezé di Camargo e Luciano em Assunção houve uma parte dedicada apenas a essas músicas, com participação de um grupo local. Zezé enfatizou a importância que as guarânias e polcas tiveram na sua infância musical. Já ouvi de várias pessoas que a música paraguaia era bem presente no Brasil em décadas anteriores. Uma pena que tenhamos ficado tão bitolados nas músicas em inglês e esquecemos de apreciar a beleza musical dos vizinhos.
Hoje o Paraguai é um grande consumidor de nossas músicas sertanejas, cujo sucesso devemos, em muito, aos próprios paraguaios e sua contribuição cultural.

Para quem quiser saber mais, eis um estudo interessante sobre a influência musical paraguaia no Mato Grosso do Sul:

Por fim, Zezé di Camargo e Luciano cantando em guarani e minha música preferida no Paraguai, "Recuerdos de Ypacarai", que fez muito sucesso no Brasil:





terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Top 10- Músicas sobre trem

Resolvi reunir aqui minhas músicas preferidas sobre o meu meio de transporte preferido. Nem todas as músicas têm a temática exclusiva de trens, mas em todas o trem aparece pelo menos para dar um toque de saudade e melancolia. Quem me conhece sabe que meu gosto musical não é dos mais refinados, mas a boa notícia é que o Bonde do Tigrão, apesar de ser bonde, não aperece na lista. Turum tum tsss...

As músicas estão com o nome dos intérpretes, porque o blog é meu e buscar compositor dá trabalho.

10- O Rodo Cotidiano (Rappa e Maria Rita)

Como toda música do Rappa, fica difícil saber do que se trata a letra, mas depois que descobri gostei. A música reflete bem o que é um trem urbano no Brasil.

Sou mais um no Brasil da Central
Da minhoca de metal que corta as ruas
Da minhoca de metal
É... como um concorde apressado cheio de força
Que voa, voa mais pesado que o ar
E o avião, o avião, o avião do trabalhador


9-  Naquela Estação (Adriana Calcanhoto)


Não tenho muita paciência para a lentidão da música, mas a letra é bonita e dedicada à despedida típica da plataforma da estação.


Você entrou no trem
E eu na estação
Vendo um céu fugir
Também não dava mais
Para tentar
Lhe convencer
A não partir..






8- Seguindo no trem azul (Roupa Nova)


Apesar de não falar muito de trem, a música é bonitinha.


Toda vez que for assoviar
A cor do trem
É da cor que alguém fizer
E você sonhar




7- Trem das Onze (Adoniram Barbosa)


Certamente a música de trem mais conhecida, ainda que a referência ao trem seja pequena na letra.


Moro em Jaçanã
Se eu perder esse trem
Que sai agora às onze horas
Só amanhã de manhã




6- Maria Fumaça (Kleinton e Kledir)


A música parece teatral ou mesmo infantil. Os sons fazem você se sentir dentro da maria-fumaça.

Essa Maria Fumaça
É devagar quase parada
Oh seu foguista
Bota fogo na fogueira
Que essa chaleira
Tem que tá até sexta-feira
Na estação de Pedro Osório




 5- Mala Amarela ( Zé Henrique e Gabriel) A versão original creio ser de Mocóca e Paraíso

Em lista de música sobre trem não poderia faltar música caipira. Acho esta linda. Impossível ouvir esta canção e não sentir saudade de um tempo que já se foi.

Era 4:30, passava um pouquinho
E um fosco clarinho rasgava o varjão
Era o trem noturno, que vinha apontando
E logo parando na velha estação


4-  Trem das 7 (Raul Seixas)

A princípio não ia colocar esta música, mas no meio da seleção alguém gritou "Toca Raul" e tive que colocar.

Quem vai chorar, quem vai sorrir ?
Quem vai ficar, quem vai partir ?
Pois o trem está chegando, tá chegando na estação
É o trem das sete horas, é o último do sertão, do sertão


3- Trem do Pantanal (Almir Sater) 

Ouvi esta música ao vivo num show do Renato Teixeira. A sonorização de trem que fazem na introdução da música é espetacular. 

Enquanto este velho trem atravessa o pantanal
Só meu coração está batendo desigual
Ele agora sabe que o medo viaja também
Sobre todos os trilhos da terra
Rumo a Santa Cruz de La Sierra



2- Idas e Voltas (Matogrosso e Mathias) 

A música fala de uma paixão da infância que se foi. Na minha opinião, tem um dos versos mais lindos da música caipira. Matogrosso e Mathias estão entre as vozes mais bonitas do sertanejo.

Veio nos trilhos do tempo o trem do destino
E foi te levando por outros caminhos
Deixando-me aqui na estação solidão
E nessas idas e voltas da minha saudade
Perdi o endereço da felicidade
Fiquei prisioneiro da recordação
.




1-  Encontros e Despedidas (Maria Rita)

Nenhuma música soube expressar tão bem o que se passa na plataforma de uma estação de trem. O ritmo e a letra transportam diretamente para uma estação e permitem visualizar tudo o que acontece com a chegada do trem.

São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também de despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar




Agora já temos 10 músicas sobre trem para participar do desafio musical do Qual é a Música! Espero que tenham gostado. Provavelmente faltou alguma boa, que terei o maior prazer em adicionar aqui. 

Como faixa bonus, aqui vai uma instrumental, de Heitor Vila Lobos.

O Trenzinho do Caipira



Acrescento aqui uma sugestão do meu amigo André Makarenko. Uma verdadeira poesia de Caetano Veloso.


E aqui, trem das cores

Sábios projetos:
Tocar na central
E o céu de um azul
Celeste celestial



Nova contribuição, agora do Dylan, amigo de infância e que me deu a dica deste samba. Essas estações de trem do Rio de Janeiro são cheias de histórias, marcaram a vida e o desenvolvimento das regiões em que foram construídas. Ai vai, Geografia Popular, de Beth Carvalho:

Vou seguindo a trajetória
Mas o trem tá muito lento
E a parada obrigatória, onde é?
No Engenho de Dentro

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Os hinos do rugby

       A diferença entre um jogo de rugby e um de futebol começa já na hora dos hinos. Aquela imagem clássica dos boleiros fingindo que sabem a letra enquanto cantam com cara de quem peidou na missa é motivo de piada faz tempo. O desleixo dos jogadores e a banalização das convocações para a as seleções de futebol são os ingredientes para essas cenas desagradáveis. O fato de a letra do nosso hino ser difícil não serve de desculpa, basta ver os vídeos da seleção de rugby no youtube. Em São Paulo, há uma lei que obriga todo jogo de futebol a iniciar com o hino nacional. Talvez o legislador quisesse embutir o sentimento de patriotismo nos jogadores, mas o que vemos é um constante desrespeito ao hino, já que os atletas estão mais interessados (com razão) em não esfriar para o jogo. Hino obrigatório em jogo de clubes cheira a Getúlio Vargas.
      Nada melhor do que imagens para mostrar a diferença entre os esportes. Reparem na emoção do Messi ao cantar o hino de seu país e comparem com os jogares de rugby a seguir:



      Uma parte pouco explorada pelo filme Invictus, mas muito bem detalhada no livro Conquistando o Inimigo, de John Carlin, foi a disposição dos jogadores brancos sul-africanos em aprenderem a cantar a parte "negra" do novo hino nacional, o "Nkosi Sikelele". A poucos dias da estréia contra a Austrália, atual campeã, na competição mais importante de suas vidas, os jogadores reservaram parte do seu tempo para as aulas de canto arranjadas pelo organizador do time Morné Du Plessis. Detalhe que a parte a ser aprendida era em xosa, língua que desconheciam. Du Plessis sabia do impacto moral que a canção produziria em seu time e na torcida, reforçando o lema "um time, uma nação".
       Eis as palavras do capitão François Pienaar sobre a emoção do hino na final da Copa: "Não consegui cantar o hino, porque eu sabia que, se fizesse isso, ia desmoronar ali mesmo. Estava tão comovido que tinha vontade de chorar. Sean Fitzpatrick (capitão dos All Blacks) depois me contou que olhou para cima e viu uma lágrima rolar no meu rosto. Mas isso foi nada comparado ao que eu estava sentindo. Foi um momento de muito orgulho na minha vida, eu estava lá de pé e o estádio inteiro reverberava. Foi demais. Tentei localizar minha noiva, me concentrar nela, mas não consegui encontrá-la. Então fiquei mordendo o lábio. Mordi tão forte que senti o sangue descer pela garganta". Lendo essas palavras fica difícil imaginar que seria possível a África do Sul perder esse jogo tão importante. Depois de conhecer o papel que o rugby teve na construção de uma nova identidade para a África do Sul não dá para ficar indiferente a este vídeo:



      Há dois hinos entre as seleções de rugby que, apesar de não terem a beleza e emoção dos hinos francês e italiano, são os meus preferidos, pela bagagem histórica que carregam em seus versos. Trata-se do Ireland's Call e do Flower of Scotland, adotadas pioneiramente pelos selecionados locais de rugby.
Bandeira utilizada pela Federação Irlandesa de Rugby
   Segundo o Wikipedia, o Ireland's Call foi escrito por Phill Couter, em 1995, a partir de um pedido da Federação Irlandesa de Rugby, que agrupa na mesma equipe jogadores da República da Irlanda e da Irlanda do Norte. Como diplomata não posso dar minha opinião sobre essa divisão da ilha, mas como jogador de rugby acho que o time da Irlanda é muito melhor unido do que separado. O fato é que quando joga em Dublin, a Irlanda canta dois hinos, o seu tradicional Amhrán na bhFiann e também o Ireland's Call. Nos jogos no exterior, canta-se exclusivamente o Ireland"s Call, para evitar sensibilidades. Acho a letra bem representativa do espírito de se juntar as 4 províncias irlandesas no mesmo time:

Come the day and come the hour
Come the power and the glory
We have come to answer
Our Country's call
From the four proud provinces of Ireland

Refrão:

Ireland, Ireland
Together standing tall
Shoulder to shoulder
We'll answer Ireland's call

From the mighty Glens of Antrim
From the rugged hills of Galway
From the walls of Limerick
And Dublin Bay
From the four proud provinces of

Refrão

Hearts of steel
And heads unbowing
Vowing never to be broken
We will fight, until
We can fight no more
From the four proud provinces of Ireland

Refrão


     Já a Escócia, por pertencer ao Reino Unido, não tem hino oficial, mas a seleção de rugby adotou o Flower of Scotland antes das partidas. De fato, seria estranho ver Inglaterra e Escócia cantarem juntas o God Save the Queen antes de um jogo com tanta rivalidade.
     Escrita em 1965, Flower of Scotland faz referência à vitória dos escoceses sobre os ingleses na batalha de Bannockburn, em 1314, quando o exército de Robert de Bruce derrotou as tropas de Eduardo II. A primeira vez que foi cantada foi justamente num jogo decisivo entre Escócia e Inglaterra no 5 nações de 1990. (Viva o Wikipedia!) Para quem gosta de Coração Valente como eu, a música é de arrepiar. Eis a letra da música que hoje é conhecida como o hino não oficial escocês:


O Flower of Scotland,
When will we see your like again
That fought and died for
Your wee bit hill and glen.
And stood against him,
Proud Edward's army,
And sent him homeward
To think again.

 The hills are bare now,
And autumn leaves lie thick and still
O'er land that is lost now,
Which those so dearly held
That stood against him,
Proud Edward's army
And sent him homeward
To think again.

 Those days are past now
And in the past they must remain
But we can still rise now
And be the nation again!
That stood against him
Proud Edward's army
And sent him homeward
To think again.

O Flower of Scotland,
When will we see your like again
That fought and died for
Your wee bit hill and glen.
And stood against him,
Proud Edward's army,
And sent him homeward
To think again.


   Aqui estão os vídeos para acompanhar:

Irlanda

Escócia
      
Itália

França

Brasil


Para quem quiser saber mais sobre as implicações políticas do rugby na Irlanda, compartilho esse artigo da Economist:
http://www.economist.com/blogs/gametheory/2012/03/rugby-ireland

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Música sertaneja: assim você me mata

           O que é uma música boa? Aquela que tem um ritmo bom? Aquela que tem uma letra de qualidade? Ou aquela que faz o pessoal dançar? Apesar de não entender muito de música, fico sempre querendo saber o que faz uma canção ter mais aceitação do que outra. Por que o rock é capaz de levar tanta gente ao Rock in Rio, em um país que tem ritmos tão diferentes do norteamericano? Sempre me questiono se o rock obteve um grau de excelência tão alto que o faz ter uma aceitação internacional ou se é simplesmente mais um produto da cultura americana que soube se vender pelo mundo, como o McDonald's e os filmes hollywoodianos. Comer um BigMac, por mais gostoso que seja, não é a mesma coisa que comer outro sanduíche. Há todo um conjunto de valores por trás da simples compra de um alimento. Creio que o mesmo se passa com a música.
           Se o segredo do sucesso de uma música fosse só a letra, como explicar a fama desta música dos Beatles?

You say "Yes", I say "No".
You say "Stop" and I say "Go, go, go".
Oh no.
You say "Goodbye" and I say "Hello, hello, hello".
I don't know why you say "Goodbye", I say "Hello, hello, hello".
I don't know why you say goodbye, I say hello.
I say "High", you say "Low".
You say "Why?" And I say "I don't know".

          Se fosse só o ritmo, por que quase ninguém compra CDs instrumentais?
          Falar de gosto musical no Brasil é algo tão sensível quanto falar de política ou religião.

       Recentemente, temos visto a ira de internautas contra o sucesso mundo a fora da música "Ai se eu te pego" do Michel Teló. Dizem até que a música é um prelúdio do final dos tempos em 2012. Será que é pra tanto?
       Acontece que há um grupo que realmente acha que o tipo de música que você ouve o torna mais ou menos inteligente. Se você ouve Janis Joplin, UAU!, você é inteligente. Se você ouve Vieira e Vieirinha, você não passa de um caipira burro. Acreditar que a inteligência entra pelos ouvidos com a música não faz meu tipo. Aliás, assim como meu sogro, acredito que o conhecimento entra pela bunda, pois quanto mais tempo com a bunda na cadeira estudando, daí sim mais inteligente você fica. Entender de música clássica, jazz e outros ritmos pode torná-lo aquilo que a sociedade considera como culto, mas não inteligente.
      Todo mundo tem um momento de ouvir algo mais sério, mais bem elaborado. Mas a vida de alguém que nunca pôs uma música bem brega no último volume para dançar e cantar em casa deve ser bem chata.
      O que mais me impressiona na revolta contra o Michel Teló é que a raiva parte de pessoas que consomem o mesmo "naipe" de música sem nenhuma crítica quando esta vem em inglês, francês, espanhol ou italiano. O que as rádios brasileiras tocam sem o menor filtro é impressionante. No livro "A Música Caipira" do jornalista do Globo Rural, José Hamilton Ribeiro, tem uma frase interessante: " Um povo conquista o outro pela música, pelas artes. Pode, para isso, usar exércitos, tanques e canhões, poder econômico e pressão política e psicológica, mas tudo isso como ferramenta. Seu objetivo último é conquistar corações e mentes, e isso se dá quando o povo colonizado despreza sesus próprios valores culturais por ter assumido o padrão do colonizador". Era exatamente assim que agiam os jesuítas quando chegaram na América do Sul. É também, pelo que me lembro das aulas da FFLCH, o que Gramsci dizia sobre o sonho de toda potência hegemônica, que é fazer o colonizado imaginar que o melhor para si é o que está dizendo o colonizador.
       Agora que estamos crescendo como país e começamos a exportar nossa cultura mais popular estamos sendo criticados por nós mesmos. O Michel Teló é exemplo do Soft Power brasileiro. Os gringos podem não entender uma palavra da música, mas gostam dela pelo ritmo, pela alegria e, sem dúvida alguma, porque é do Brasil.